Carta do Gestor - Abril de 2022

Atualizado: 5 de mai.

Prezados cotistas,


No mercado, muitas vezes, dizemos que a “ficha demorou a cair”. Apesar dos sinais inequívocos de que a inflação estava começando a sair do controle, os principais Bancos Centrais preferiram carregar nas palavras e foram postergando o quanto puderam o aperto monetário que ora se mostra inevitável e inadiável. Estamos falando de dezenas de bilhões de dólares adicionais que serão recolhidos, mensalmente, do sistema, num momento em que o mundo questiona, não apenas a hegemonia norte-americana nos campos militar ou econômico, mas também o dólar. Acreditamos que esse fato adicional passou a ganhar peso, principalmente após a crise de 2008. Mas a ficha caiu. A hora agora é de aperto monetário e o mercado já se ajusta para um ciclo num ritmo um pouco maior, já chegando a 3% na reunião de fevereiro de 2023.


E diante dessa perspectiva, o dólar se valorizou 5,4% contra a cesta de moedas e 4,2% em relação ao Real, mas ainda perdendo 10,8% para a nossa moeda este ano. Ao longo do mês, a Rússia seguiu com sua campanha militar sobre a Ucrânia, apesar das dificuldades encontradas diante de uma heroica resistência, muito maior do que o esperado. Os países membros da OTAN têm elevado o envio de ajuda econômica e militar para a Ucrânia e, dia sim, dia não, o conflito parece correr o risco de escalar, principalmente quando países como Suécia e Finlândia declaram o interesse em entrar para a OTAN. Seguimos acreditando que tão logo a Rússia estabeleça a ligação em terra entre seu território e a Criméia, o conflito militar tende a perder força, levando os países para a mesa de negociação.


O novo surto de Covid-19 na China também levou algum pânico aos mercados. Apesar dos números de casos serem pífios, quando comparados com quaisquer nações relevantes, os rigorosos lockdowns, cujas imagens que circulam são dignas dos piores regimes totalitários que já houve, ameaçam interromper diversas cadeias de suprimento, levando a um outro choque de oferta, justamente num momento em que a inflação ameaça as principais economias.


No Brasil, diferentemente da maioria das nações, o aperto monetário chega ao seu final com um último movimento esperado para o dia 4/5. A inflação ainda está muito elevada e trazê-la para dentro da meta deste ano de 2022 já se mostra não apenas uma missão impossível, mas muito custosa e preterível. Em breve o BCB já deverá se debruçar sobre as expectativas de 2023 e 2024 para avaliar o melhor momento para iniciar o corte da Selic.


E diante desse cenário, quando o VIX, (índice que mede a volatilidade do S&P 500, vide gráfico abaixo) saiu de 20% ao ano para a faixa de 34%, as bolsas pelo mundo tiveram fortes quedas. O S&P500 caiu 8,8%, o Nasdaq 13,4% e o IBOVESPA 10,1%, na maior queda desde março de 2020, quando tivemos o início do lockdown. Nossos fundos tiveram desempenho superior ao do IBOVESPA com o GTI Dimona tendo caído 7,3% e o GTI Nimrod 6,8% no mês.


Fonte: Bloomberg


No mês tivemos a divulgação dos resultados da Vale, em linha com as expectativas, que já contemplavam uma queda na produção e nas vendas. A queda no preço do minério de ferro em abril, de 11%, foi parcialmente compensada pela apreciação do dólar, mas não o suficiente para sustentar as ações da Vale, ainda mais após a SEC ter anunciado que processaria a empresa por ter enganado investidores quanto à segurança de suas minas.


De forma geral, as empresas ligadas aos setores domésticos, foram as que mais contribuíram para o desempenho negativo no mês. Os varejistas e as prestadoras de serviços sentem a queda de renda disponível, por conta da inflação elevada.

A elevação na taxa de juros também encarece o crédito ao consumidor, sendo mais um fator a desestimular a demanda. O melhor desempenho do portfólio ficou por conta da Neo Energia. As ações subiram 14% no mês, muito por conta dos bons resultados divulgados no 1Q22, além do anúncio do fechamento de capital da Celpe, levando alguns investidores a inferir que a Ibedrola poderia fazer o mesmo com as próprias ações da Neo.


Por fim, destacamos a evolução favorável na fusão entre Aliansce Sonae e BR Malls. O Conselho de Administração da BR Malls recomendou aos seus acionistas que aceitassem as novas condições oferecidas pela Aliansce Sonae. Em sendo aprovada a operação, será criada a maior empresa do setor, maior que a soma das duas seguintes. Estima-se que a empresa resultante obtenha sinergias que em valor presente superariam os R$ 2 bi. Apesar do mês negativo para o varejo, como um todo, as ações da BR Malls subiram 0,98%.


Nesse processo de ajuste monetário na mais importante economia, esperamos uma volatilidade média mais elevada, como já observamos em abril. As empresas que mais sofrem nesse processo são justamente aquelas em que o fluxo de caixa corrente é pequeno ou até negativo em relação ao que se espera num horizonte mais longo. Nosso portfólio segue bastante concentrado em empresas que hoje estão em fase de elevada geração de caixa, ainda que algumas delas também estejam atravessando elevado crescimento econômico, como é o caso da Simpar.


Apertem os cintos, mas na certeza de que esse carrinho já fez o percurso diversas vezes e, salvo por uma eventual tontura, descarrega todos os seus passageiros em segurança e satisfeitos!!




Alocação setorial - GTI Nimrod FIA


Atenciosamente,

André Gordon.