Carta do Gestor - Abril de 2018

Atualizado: 6 de Set de 2018

Prezados cotistas,


No mês de abril o IBOVESPA subiu 0,88% enquanto nosso portfólio teve um desempenho positivo de 1,69%. As principais bolsas do planeta tiveram também desempenhos ligeiramente positivos. O destaque, entretanto, ficou por conta da valorização do dólar frente às demais moedas e, em particular, ao Real. Nossa moeda perdeu quase 6% de seu valor frente ao dólar.


O fortalecimento do dólar foi devido, principalmente, a elevação na remuneração dos títulos de 10 anos do tesouro norte-americano, que atingiu 3%, fato que não ocorria desde janeiro de 2014. Há a preocupação de que além do mercado de trabalho mais apertado, a guerra tarifária iniciada nos últimos meses também possa contribuir para pressionar os preços. Isso em meio a uma elevação nos preços das commodities, de quase 2% no mês, tem levado os agentes a elevar suas expectativas quanto ao nível da taxa básica de juros nos EUA. Hoje o mercado se divide entre duas ou três elevações ainda em 2018, com a taxa básica chegando ao patamar de 2,5% ao final do ano. A busca por ativos de qualidade (fly to quality) afeta principalmente os mercados emergentes. Felizmente o Brasil possui USD 380 bi em reservas internacionais, o que num regime de câmbio flutuante e com saldos positivos tanto na balança comercial quanto de investimentos diretos, nos permite sobreviver a este ciclo sem grandes turbulências oriundas desta matriz.


Na economia doméstica ainda percebemos sinais de uma retomada mais lenta do que o esperado. O mercado de trabalho segue fraco, com o desemprego maior do que o esperado, em 13,1%. A criação de vagas formais de trabalho segue num ritmo abaixo da expectativa , mas estável. A maioria dos indicadores divulgados tanto do setor de varejo quanto de serviços, vieram aquém do esperado. A produção de automóveis segue crescendo, o que favorece tanto a indústria siderúrgica quanto a de autopeças, setores relevantes em nosso portfólio, mas as vendas internas estão ainda abaixo do desejado. As exportações têm contribuído para este bom desempenho da indústria.


Por fim, o governo segue produzindo déficit primário elevado, com forte impacto oriundo do déficit previdenciário. Em março foram mais R$ 25 bilhões de déficit.


Apesar da economia pouco atrativa, uma parte considerável das empresas tem começado a apresentar resultados bem saudáveis, com crescimento de receita e recuperação de margens operacionais. Destacamos os resultados do Pão de Açúcar, uma de nossas principais posições. As vendas do grupo cresceram 7,6% no ano, sendo que 4,8% no conceito mesmas lojas (SSS). Neste ano onde houve deflação de alimentos, este pode ser considerado um grande resultado. O “atacarejo” sob a bandeira Assaí responde por esta estratégia bem-sucedida. Seu SSS cresceu 10,7% enquanto a receita total 25%. Foram abertas 20 novas lojas enquanto 17 lojas Extra foram convertidas para Assaí. As ações da empresa tiveram um desempenho positivo no mês.


As ações da Metalúrgica Gerdau também tiveram um bom desempenho no mês, com alta de 9,5% as PN e 12,5% as ON, por conta de melhores perspectivas da economia, além do dólar mais forte.


Alocação setorial - GTI Dimona Brasil FIA

Montamos uma operação de arbitragem entre as ações da Fibria e da Suzano, com o spread próximo a 6%. Considerando que a transação deva ocorrer, não temos exposição líquida nas ações das empresas. O conforto que tivemos ao realizar esta arbitragem é que no cenário adverso, ou seja, o cancelamento da operação, acreditamos que o desempenho das ações da Fibria tende a ser superior ao das ações da Suzano.


No campo político, ainda há muito ruído neste período pré-campanha eleitoral. Já havíamos descartado a participação de Lula, candidatura esta vista como a de maior risco para o país. Neste início de maio fomos contemplados com a desistência de Joaquim Barbosa, aquele que foi candidato sem nunca ter sido. De perfil autoritário e viés socialista, o ex-Ministro capturava votos entre eleitores com perfil mais direitistas, atraídos pela percepção de que ele seria um duro combatente aos corruptos em virtude de sua condução no caso do “mensalão”. Nas próximas semanas, acreditamos que alguns nomes como o do deputado Rodrigo Maia, do DEM, do ex-Ministro da Fazenda Henrique Meirelles, do próprio presidente Temer, todos anunciados como pré-candidatos, devem abandonar a disputa eleitoral devido à total incapacidade de atingirem um percentual mínimo de votos, o que lhes conferiria alguma viabilidade eleitoral. Sem esses candidatos, vistos como mais ao centro, Geraldo Alckmin tende a ganhar apoios e se consolidar como o candidato mais viável entre aqueles que representam o estamento político. Provavelmente deverá firmar alianças com MBD e DEM de forma a ter mais espaço na TV durante a campanha. Com a saída de Joaquim Barbosa, o PSB, do governador de São Paulo Márcio França, também deve ficar mais à vontade para integrar este bloco. Jair Bolsonaro segue liderando as pesquisas, com pouco mais de 20% das intenções de voto e já anunciou a intenção de delegar a condução da economia para Paulo Guedes, de orientação mais ortodoxa. O maior risco percebido hoje seria uma frente de esquerda mais ampla e que pudesse garantir uma vaga para o segundo turno. Por hora esse risco parece menor. O PT está dividido: a parcela liderada pela sua anedótica presidente segue insistindo na candidatura Lula enquanto outros nomes, de forma tímida, acreditam tanto na candidatura própria quanto numa aliança com Ciro Gomes. Marina Silva segue incomunicável com sua candidatura inexpressiva frente aos quase 10% de intenções de voto que ainda tem. Esperamos que nos próximos dois meses tenhamos um cenário um pouco mais claro. Sem a certeza de que a presidência será ocupada por alguém com perfil mais fiscalista e reformista há o risco de deterioração fiscal ao longo dos próximos anos concomitantemente a perda de tração da retomada econômica. Em determinados momentos, ações mais defensivas, com geração de caixa estável e yields elevados, prudência e canja de galinha, não faz mal a ninguém!!!


Atenciosamente,

André Gordon

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