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Carta do Gestor - Setembro de 2023

Prezados cotistas,


No mês de setembro o S&P 500 caiu 4,9% e o Nasdaq 5,1%. O Ibovespa, ajudado pela exposição em commodities, subiu 0,7%. Nossos fundos GTI DIMONA, GTI HAIFA e GTI NIMROD tiveram quedas de 2,77%, 2,48% e 2,86%, respectivamente. O dólar teve nova valorização, de 2,5% em relação a cesta de moedas, sendo 1,5% em relação ao Real.


Essa deterioração de preços nos ativos de risco se deveu a inclinação positiva da curva de juros norte-americana, com os títulos de 10 anos ultrapassando os 4,5%. Apesar da manutenção da taxa básica, os diretores do FED sinalizaram que pouco resta para se concluir o atual ciclo em termos de taxa, mas a sua duração tende a ser um pouco mais longa do que anteriormente se esperava. Os sinais positivos do mercado de trabalho ajudam a alimentar essa perspectiva.


No Brasil, também observamos uma elevação relevante das taxas de juros ao longo da curva, de aproximadamente 0,60%, o que também afetou o comportamento dos ativos de maior risco, principalmente as ações de empresas voltadas à atividade doméstica. O BCB não trouxe surpresas ao reduzir a taxa básica em 0,5%, para 12,75% e indicou que esse ritmo deve continuar pelas próximas reuniões. Os números de inflação corrente se mostram comportados, amparados pela continuidade da Bandeira Verde em energia e pela supersafra agrícola, que mantém os preços dos alimentos mais baixos.


Assistimos, novamente, o STF invadindo a competência dos demais poderes, no caso, do Legislativo ao revogar o “Marco Temporal”. Essa revogação coloca em risco a propriedade privada, principalmente no campo. O Senado reagiu e deve votar uma nova legislação para o Marco Temporal, por mais clara que fosse àquela estabelecida na Constituição de 1988, inclusive validada em jurisprudência posterior. Esse Poder desregrado tem sido, na nossa opinião, o principal fator de desestabilização do Brasil nos últimos anos.


No início do mês, saímos da nossa posição de Petrobrás, depois de 6 anos. Acreditamos que as ações da estatal seguem atrativas, do ponto de vista de valor, porém, diante de sinais de interferência cada vez mais presentes na gestão da empresa, preferimos realocar esses recursos em outras companhias relacionadas a commodities e com múltiplos parecidos, como a própria Vale. Petrobrás multiplicou por 5 durante esse período, se levarmos em conta a farta distribuição de dividendos. Apesar de ainda barata, ela está em torno de 3 vezes mais cara do que no início de 2022, quando os riscos por nós percebido eram substancialmente menores que os atuais. Seguiremos monitorando o desenvolvimento desta gestão para avaliarmos eventuais oportunidades.


Diante desse momento de incerteza quanto ao futuro tributário no país, principalmente das empresas voltadas ao varejo e serviços domésticos, reduzimos nossa exposição em alguns nomes que entendemos serem mais expostos em favor de posições mais antigas e que tenhamos maior confiança. Por ora ainda há pouca clareza sobre esta Reforma, mas claramente setores como o Industrial, de cadeia mais longa e com maior incidência de impostos em cascata, tendem a serem beneficiados enquanto o Setor de Serviços tende a ter aumento de alíquota. No que tange a tributação sobre a Renda, a maioria das empresas pode ser negativamente afetada, caso seja aprovada a extinção do Juros sobre Capital Próprio (JCP). No caso da tributação sobre dividendos, irá depender de quanto será a redução no IRPJ, podendo ser neutra, negativa ou até positiva, a depender da soma destes vetores.


Não descartamos, inclusive, que diante de alíquotas que sejam muito elevadas para o novo IVA dual, (IBS + CBS) em virtude das dezenas de isenções que vem sendo debatidas, os deputados acabem por postergar ou deixar de lado boa parte da reforma. Algo do tipo “ruim sem ela”, mas “pior ainda com uma nova e que elevará a carga tributária”. O cerne da questão se encontra na falta de vontade deste governo em atacar o principal problema do país, que é o fiscal. Certamente faria muito mais sentido iniciar essas Reformas pela Reforma Administrativa, modernizando as carreiras do funcionalismo assim como demais atribuições do Estado para só então fazer a divisão da fatura. Ao se trocar uma turbina com o avião em voo, certamente os riscos incorridos podem se tornar muito maiores do que o país poderia sustentar.


Alocação setorial - GTI Dimona Brasil FIA



Atenciosamente,


André Gordon.

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