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Carta do Gestor - Setembro de 2022

Prezados cotistas,


Em setembro, os mercados globais foram, novamente, afetados pela perspectiva de ajustes mais fortes na taxa básica de juros dos Estados Unidos por conta de indicadores acima do esperado para a inflação. A perspectiva foi de que a taxa básica chegará aos 4,5%, o que levou os títulos do tesouro americano de 10 anos para a rentabilidade de 3,85%. O dólar valorizou-se 3,3% diante a cesta de moedas, com destaque para a depreciação de 3,8% da Libra esterlina e 4,2% do Iene.


Os mercados acionários no Brasil se descolaram dos demais, pelo mundo, apesar do Real ter perdido 4,4% de seu valor. O IBOVESPA subiu 0,47% enquanto as principais bolsas norte-americanas caíram entre 8% e 11%. Nossos fundos tiveram um desempenho um pouco aquém, com o GTI DIMONA, GTI HAIFA e GTI NIMROD fechando com desempenho de -0,15%, -0,12% e -0,02%, respectivamente.


Podemos creditar esse desempenho descolado de nosso mercado aos bons indicadores macroeconômicos. O desemprego caiu novamente, agora para 8,9%. A atividade econômica em julho cresceu 3,8% em relação ao ano anterior. Tivemos outro mês com deflação, de 0,36% o que ajudou a reduzir as expectativas para inflação tanto deste ano quanto a de 2023, que se aproxima da meta. Em função destes números, o Banco Central do Brasil manteve a taxa Selic estável em 13,75%, deixando espaço, entretanto, para novo ajuste caso as condições inflacionárias voltem a se deteriorar.


O Boletim Focus segue apontando expectativas mais positivas para o PIB deste ano, assim como menores números para a inflação tanto de 2022 quanto para a de 2023. Diante deste quadro benigno, pudemos observar um importante recuo da parte mais longa da curva de juros, contribuindo para o bom desempenho das ações de empresas de properties.


Os principais destaques do nosso portfólio ficaram por conta do bom desempenho das ações da Vale e queda de preço nas ações da Petrobrás. Além da queda nos preços dos combustíveis, acreditamos que houve um ajuste de portfólio por conta do risco eleitoral. Neste mês também houve a desistência do fundo Mubadala Investment Company em adquirir o controle da Burger King. O franqueador master entendeu que poderia haver algum conflito e não deu a garantia de que preservaria a franquia com a empresa, condição sine qua non para a sequência da OPA. Para nós, o preço oferecido estava significativamente aquém do que consideramos justo.


Por fim, não podemos deixar de comentar sobre os resultados do primeiro turno das eleições no Brasil, que levaram a uma forte alta da bolsa no primeiro pregão de outubro. O mercado trabalhava com uma potencial vitória de Lula em primeiro turno, diferentemente de nosso cenário. Lula chegou 5% a frente, mas o pleito seguirá para o segundo turno, uma vez que ficou abaixo dos 50% dos votos validos. A surpresa positiva, entretanto, ficou por conta da força mostrada pelo chamado “bolsonarismo”. Das 27 cadeiras para a renovação de 1/3 do Senado Federal, 19 vitórias foram de governistas, sendo 7 destes ex-ministros ou secretários de Bolsonaro, além do vice-presidente da República.


Para a Câmara dos Deputados, o PL, partido do Presidente da República elegeu a maior bancada, de 99 deputados. Os partidos da base do governo devem atingir a maioria da casa, podendo chegar com folga à maioria constitucional com o apoio dos partidos de centro como o MDB, PSD e da federação entre PSDB e Cidadania. Caso vença o segundo turno, Bolsonaro encontrará um ambiente muito mais favorável do que aquele encontrado em 2018, quando teve na figura de Rodrigo Maia um adversário persistente. O que levou o nosso mercado à euforia, entretanto, foi que, no caso da vitória do ex-presidente Lula, ele terá pouca capacidade de colocar em prática boa parte de suas propostas.


Ao longo da campanha, Lula falou que reverteria o imposto Sindical, a Reforma Trabalhista, a Reforma da Previdência e até a Independência do Banco Central. Essa agenda vai de encontro da defendida pela grande maioria da bancada conservadora/liberal eleita. Também ficou limitada a capacidade de Lula em interferir na Petrobrás de forma a, novamente, desviá-la de seu plano estratégico de investimentos e superfaturar contratos par a financiar a compra de bancadas ou os partidos aliados como no Mensalão e no “Petrolão”.


Gostamos sempre de lembrar que o atual governo conseguiu importantes avanços na agenda reformista, inclusive no campo das privatizações, segmento que poderia ser mais afetado pela mudança de governo. Já estão contratados mais de R$ 900 bilhões para os próximos 10 anos entre concessões rodoviárias, ferrovias, saneamento, aeroportos e gás.


Acreditamos que o segundo turno corresponde a uma nova eleição em que o presidente Bolsonaro poderá contar com o apoio de governadores já eleitos em primeiro turno, entre os quais Romeu Zema/MG, Cláudio Castro/RJ, Ratinho Junior/PR e Ibaneis Rocha/DF, e que já declararam apoio total. Nestes Estados, maiores colégios eleitorais do país, Bolsonaro perdeu votos em relação a 2018. Bolsonaro também contará com o apoio do atual governador de SP, Rodrigo Garcia para a sua eleição e a de Tarcísio, para o Estado de SP, além de Onix no RS e ACM Neto, na Bahia, onde as eleições estaduais também estarão polarizadas e equilibradas.


Espero que no próximo mês possamos trazer boas notícias!!



Alocação setorial - GTI Nimrod FIA


Atenciosamente,

André Gordon.

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