Carta do Gestor - Novembro 2017


Prezado cotista,


Parafraseando um primeiro-ministro israelense, que certa vez havia dito que seus inimigos jamais perdiam a chance de desperdiçar uma oportunidade para fazer a paz, nossos representantes em Brasília, jamais perdem a oportunidade de desperdiçar oportunidades.


O calendário legislativo se aproxima de seu final, restando apenas duas semanas para que se leve adiante a votação do projeto de Reforma da Previdência na Câmara dos Deputados. Ainda há uma pequena chance de se avançar com a importante reforma nesta casa, ainda em 2017, deixando para o Senado sua aprovação final, no início de 2018. Sabemos que depois de abril, em ano eleitoral, o foco dos deputados e senadores estará dividido entre a campanha eleitoral e os escritórios dos advogados.


Salvo pelos congressistas do PT, PSOL, PCdoB ou REDE que historicamente são oposição ao país, antes de tudo, os demais partidos e que acreditam ter alguma chance de vencer as eleições sabem ser esta reforma de suma importância, além de justa. Dois terços dos beneficiários da Previdência recebe o salário mínimo e não terá sua vida laborativa alterada por esta reforma. O impacto será sentido principalmente por uma elite de servidores públicos. O governo investe em publicidade para tentar explicar para a população sobre a importância dos ajustes e reformas, mas encontra resistência de sindicalistas e de uma juíza, que acatou uma liminar suspendendo este anúncio, no momento em que o mesmo começava surtir efeito positivo. Ocorre que nossos representantes estão acovardados. Temem ser penalizados nas urnas no caso de votarem a favor da reforma, exceto se todos ou uma ampla maioria votasse. Estamos vivendo justamente esse momento, onde o presidente faz um esforço hercúleo no senti-do de contabilizar os 308 votos necessários para aprovar esta emenda constitucional.


E entre os feriados do mês, as negociações para a Reforma Ministerial, as ameaças constantes do PSDB e boa parte da mídia reverberando e amplificando esse clima de pessimismo, o país perde, mais uma vez, a oportunidade de surpreender positiva-mente o mundo.


O atraso nesta reforma terá um custo em termos de déficit primário, estimado em 0,5% do PIB, para o primeiro ano subsequente. Não será o fim do mundo. Será apenas mais um sinal do atraso. E justa-mente esse atraso, quando persiste, começa a pro-mover uma elevação nos juros reais de médio e longo prazo e, consequentemente, explica a queda de 3,2% do IBOVESPA. Nosso portfólio teve um mês ainda mais negativo, com queda de 6,8%, influenciado pela queda acentuada nos preços das empresas de menor capitalização e voltadas para os segmentos de logística, properties, além das utilities. O destaque positivo ficou por conta das ações da SABESP, com alta de 13,2% e que reportou um excelente resultado no 3º trimestre.

Ao longo do mês também evoluíram as articulações para a sucessão presidencial. No PSDB o nome do governador Geraldo Alckmin se consolidou como o postulante ao cargo, após o recuo de João Dória. Temer tenta organizar uma frente governista e que apoiaria um nome como o do Ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, mas que facilmente poderia sacrificar a candidatura própria em favor da candidatura de Alckmin, em troca do apoio deste à reforma e a defesa do legado de Temer em caso de eleição. Jair Bolsonaro segue como sendo o nome mais forte de fora do estamento e já sendo visto como alguém com reais possibilidades de vitória. Nesse sentido e

buscando acalmar os mercados, Bolsonaro sinalizou que teve conversas com o economista liberal Paulo Guedes e que gostaria de tê-lo como ministro da Fazenda. Marina Silva segue como sendo o plano B da esquerda socialista e passa a ter alguma força no caso da impossibilidade de Lula disputar as eleições. Lula, demonstrando certo desespero, lança ameaças constantes, mas a cada dia fica mais claro que talvez seu principal objetivo não seja passar seus últimos anos na prisão. Os demais nomes da esquerda servem apenas para adicionar volatilidade e ruídos à disputa eleitoral.


Por hora nada mudou em termos de cenário macro-econômico, exceto pelo aumento da percepção de risco. Os últimos dados de arrecadação confirmam a retomada da atividade e alimentam as expectativas de crescimento para o PIB de 2018, superior a 2%. O sentimento negativo tende a se dissipar tão logo a reforma da previdência seja aprovada. E esta aprovação tende a ser a pá de cal sobre aqueles que reverberam e patrocinam o caos e a desordem. Isso promoveria uma disputa eleitoral bem mais suave do que a última, tendo como consequência um melhor desempenho nos mercados.


Torçamos para que este pesadelo termine logo e que o foco possa se voltar para a retomada da atividade econômica e a geração de empregos, trazendo o país de volta para um ciclo virtuoso. Este ainda é nosso principal cenário e tende a ser fortalecido conforme se configure que o sucessor de Michel Temer dará continuidade às suas principais reformas e políticas econômicas.


Atenciosamente,

André Gordon

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