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Carta do Gestor - Maio de 2026

 

Prezados cotistas,

 

Tivemos em maio uma dinâmica de preços que pareceu uma repetição do que houve em abril, principalmente a partir de sua segunda metade. O índice que mede a volatilidade do S&P500, o VIX recuou novamente, se aproximando de 15% ao ano. Os estimadores de inflação seguem pressionados nos EUA, pressionados tanto pelo mercado de trabalho quanto ainda elevado preço do petróleo, mesmo diante da queda nos últimos dias do mês e tendo fechado um pouco abaixo de USD90/barril.

As principais bolsas norte-americanas encerraram maio com forte alta; o S&P500 subiu 5,15% e o Nasdaq 10,5%.

Os resultados e as perspectivas das empresas de tecnologia, que expandem os seus números de forma acelerada por conta do avanço no segmento de IA (inteligência artificial), têm ajudado a drenar boa parte do fluxo de capitais do planeta. As ações da Dell, por exemplo, dispararam 70% em maio após divulgar resultados acima do esperado e projetar maior crescimento de sua receita ao longo do ano. A empresa, antes vista como montadora de computadores, passou a ser vista como importante fornecedor de servidores para empresas de IA.

Outra empresa que disparou foi a produtora de chips de memória e componentes de semicondutores, Micron Technology, que dobrou de preço e superou o valor de mercado de USD 1 trilhão.

  A moeda norte-americana se valorizou 0,9% em relação a cesta de moedas e 1,6% em relação ao Real.

O IBOVESPA, carente de empresas neste segmento, não acompanhou essa euforia. Pelo contrário, fechou o mês com forte queda, de 7,22% enquanto o SMAL11, índice com empresas de menor capitalização caiu 3,52%. Observamos a continuidade no fluxo de retirada de investidores estrangeiros.

 

 

O saldo acumulado do ano chegou a um ingresso de R$ 65 bi, número que caiu para R$ 42 bi no final de maio, indicando um resgate líquido de mais de R$20 bi desde meados de abril. Nossos fundos GTI DIMONA, GTI HAIFA e GTI NIMROD terminaram o mês com quedas de 5,14%, 4,93% e 5,17%, respectivamente, 2% melhor do que o Ibovespa.

O aceno de que EUA e Irã poderiam chegar a um acordo, reestabelecendo a navegação segura através do Estreito de Ormuz e abrindo mão de seu projeto nuclear ajudou a reduzir o risco e a incerteza nos mercados. O tempo para o atingimento de um acordo definitivo desfavorece mais ao presidente Trump, cujo partido enfrentará midterm election dentro de poucos meses e precisa de alguma vitória épica para preservar a maioria que tem lhe facilitado a governabilidade e, consequentemente, garantindo a sua sucessão presidencial em 2028.

No Brasil Lula promove políticas populistas, tal como fez a ex-presidente Dilma Rousseff nas eleições de 2014. Ofereceu o vale gás, subsidia o preço dos derivados de petróleo, agora dividindo a conta com a Petrobrás, apadrinhou o fim dos “impostos das blusinhas”, que ele mesmo defendeu no início de seu governo e, mais recentemente, defende o fim da escala 6 x 1 no mercado de trabalho. Em torno de 1/3 dos trabalhadores com folha assinada cumprem esse tipo de jornada, principalmente em fábricas e setores de serviços. Obviamente, se for aprovada no Senado tal como foi na Câmara dos Deputados, algumas empresas e comércio terão que fechar suas portas, demitir ou repassar aos preços essa elevação de custos. Temos que lembrar que diversos setores já serão cobaia durante a transição do regime tributário, principalmente segmentos relacionados a serviços. O fato é que há chances de o Senado alterar essa PEC, incorporando-a a uma nova proposta, trazendo alguma modernização como, por exemplo, desengessar a jornada de trabalho, flexibilizando-a na direção dos modelos comuns nas economias mais desenvolvidas.

Esse populismo do presidente Lula tem ajudado a deteriorar tanto as contas públicas, onde a relação entre dívida líquida e produto interno bruto atingiu um novo recorde, de 67,4% quanto as expectativas para inflação. Mercado já trabalha com inflação deste ano acima de 5%, caindo para 4% em 2027 e 3,65% em 2028. Mesmo em 2029, superando o horizonte relevante, as expectativas seguem 0,5% acima da meta. Isso diante de uma das mais elevadas taxas de juros reais do planeta. Esse mau humor levou a parte longa da curva de juros para cima de 14% ao ano, o que indica que estaríamos nos aproximando de uma pausa na trajetória de queda da taxa Selic.

Já havíamos antecipado que essas eleições serão disputadas voto a voto e sob uma divisão da sociedade, assim como nas últimas. Quem vota em Lula rejeita Flávio e quem vota em Flávio, rejeita Lula. Há em torno de 20% de eleitores que optam por outros candidatos, com baixas chances. Nesse grande grupo, há uma parte mais sensível aos apelos da centro-direita, com apoio ao Zema e outra mais saudosa da herança social-democrata. Os acontecimentos do dia a dia irão sensibilizar esse contingente, que será o fiel da balança.

Mas diante dessa piora no quadro político e econômico, refletido na elevação da curva longa de juros e do otimismo com as tech stocks, que drenam fluxo de capitais, nossa bolsa teve esse péssimo desempenho, com destaque para a queda da Petrobrás, que tirou quase 2% do IBOVESPA. No nosso portfólio o destaque negativo ficou por conta das ações de Simpar e Vamos, que perderam 19% e 23% respectivamente, apesar da conclusão bem-sucedida da operação de aumento de capital, afastando o risco de solvência, num mercado onde a inadimplência segue em alta e o número de empresas em RJ bate recordes. As posições short (venda a descoberto) nesses nomes seguem bastante elevada. Ambas respondem por retirar 2,25% de nossos resultados. Outro destaque negativo foram as ações da varejista do grupo Azzas, com queda de 10,7%. Aqui a disputa entre os principais sócios chegou à justiça, num processo que obviamente não gera valor para os acionistas.

  Quando investimos, já sabíamos das dificuldades em processos de fusão entre empresas, ainda mais quando os protagonistas têm personalidades fortes e egos inflados, muito comum neste meio da moda. Felizmente esperamos o suficiente para investir com grande margem de segurança.  Pela grande exposição que os dois maiores acionistas têm nas ações da empresa, não acreditamos que darão uma espécie de “abraço dos afogados”. Já há consultores contratados para estudar uma separação entre os ativos. No atual momento, não nos parece muito inteligente desperdiçar recursos com advogados, consultores e bancos ao invés de investir na melhoria de processos ou em redução do endividamento.

Paulatinamente temos reduzido nossa exposição em empresas de Beta baixo e de commodities em favor de boas empresas mais voltadas a atividade doméstica, que crescem a taxas razoáveis mais com múltiplos em patamares historicamente baixos. O processo de redução nas taxas de juros precisará contar com um importante ajuste fiscal. Mais provável que isso ocorra sob nova direção. Sem uma correção de rumo, assistiremos novas empresas se juntando às Casas Bahia, Pão de Açúcar, Raízen, Braskem, Lavoro, Azul e mais centenas de pequenos empresários e varejistas que já entraram no vermelho e que tentam renegociar suas dívidas já há algum tempo. Nos próximos meses desenvolveremos mais essas possibilidades.

 

 Alocação setorial - GTI Dimona Brasil FIA

 

 

 

 

 

 

 

          Atenciosamente,

André Gordon.


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