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Carta do Gestor - Abril de 2026

 

Prezados cotistas,

 

Depois do elevado pico em março, a volatilidade dos mercados cedeu em abril. O índice VIX recuou e encerrou o mês próximo da média dos últimos 10 anos. Apesar da preocupação com o efeito inflacionário provocado pela elevação no preço do petróleo, as principais bolsas norte-americanas encerraram abril com forte alta; o S&P500 subiu 10,4% e o Nasdaq 15,6%. Outros índices importantes acompanharam essa recuperação que levou as bolsas norte-americanas a novos recordes: o DAX alemão subiu 7,11% enquanto o principal índice japonês, o Nikkei teve alta de 16,1%. A moeda norte-americana se desvalorizou 1,9% em relação a cesta de moedas e 4,3% em relação ao Real. O IBOVESPA não acompanhou essa euforia, tendo fechado o mês com pequena queda de 0,08% enquanto o SMAL11, índice com empresas de menor capitalização caiu 3,5%. Nossos fundos GTI DIMONA, GTI HAIFA e GTI NIMROD terminaram o mês com quedas de 3,9%, 4,1% e 5,0%, respectivamente.

O fluxo de investidores estrangeiros seguiu forte ao longo do mês de abril, tendo atingido mais de R$ 65 bi acumulado no ano de 2026 ao longo do mês. No entanto, na segunda quinzena observamos uma realização de lucro por parte desses investidores o que fez com a bolsa brasileira fechasse o mês praticamente estável.

Apesar da ainda frágil trégua na Guerra entre EUA, Israel e Irã, há muita incerteza em relação ao final deste conflito. O Irã, derrotado militarmente, se recusou a reabrir o Estreito de Ormuz, assim como entregar seu urânio enriquecido. Os EUA optaram por assumirem então o fechamento do Estreito, mas dessa vez, também para as embarcações iranianas, contribuindo para a asfixia econômica do regime. O barril de petróleo que havia recuado para USD 83, voltou a subir diante da perspectiva de restrição na oferta. Essa pressão sobre preço do petróleo e derivados levou os mercados a trabalharem com estabilidade na taxa básica de juros até 2028, tendo os títulos de 10 anos nos EUA fechado em 4,37%.

 

No Brasil, o governo vem segurando artificialmente os preços dos derivados. Na primeira metade do mês, quando o petróleo chegou a cair mais de 20%, os mercados chegaram a trabalhar com a possibilidade de corte de 0,50% na taxa Selic. Com o barril do petróleo voltando a superar os US$ 100, a defasagem nos preços dos derivados superou 50% no diesel e 70% para a gasolina. O COPOM se reuniu nos dias 28 e 29 e entendeu que um novo corte de 0,25% não comprometeria a convergência futura das expectativas de inflação, que voltaram a se deteriorar nas últimas semanas, inclusive superando o intervalo superior de 4,5% para este ano. O IPCA de março superou as expectativas e veio 0,88% enquanto o IPCA-15 de abril veio ligeiramente melhor que o esperado, mas em 0,89%. O grande problema segue sendo o fiscal, com a total falta de compromisso do governo em relação as suas metas, com o déficit nominal de março superando as expectativas, chegando a quase R$ 200 bi, o que levou a relação entre dívida líquida e PIB para 66,8%, recorde em mais de 20 anos.

A popularidade do presidente Lula segue em queda, tendo colhido o presidente sua maior derrota neste mandato. O Senado Federal recusou sua última indicação para Ministro do STF, numa derrota inédita desde 1894. Em meio a escândalos de corrupção como o caso do “Banco Master” e do INSS, a arma utilizada pelo governo tende a ser mais medidas populistas, como a proposta do fim da escala 6 x 1 no mercado de trabalho ou o perdão de dívidas. Esse ambiente de deterioração fiscal e política por um lado, mas com o país autossuficiente em energia e alimentos, longe dos conflitos pelo outro, levou o mercado acionário a ter comportamentos distintos e amplificados entre diferentes setores.  O setor financeiro e o setor elétrico tem sido uma espécie de “porto seguro”, o que beneficiou o comportamento de preços das empresas mais líquidas, mas ainda sem o horizonte de mais longo prazo que tenderia a favorecer mais as small e mid caps.

 

O principal contribuinte de nosso portfólio foram as ações da siderúrgica Gerdau, com alta de 19%. O desempenho das ações seguiu o bom desempenho das congêneres Nucor e Steel Dynamics. Enquanto a operação norte-americana segue com margem operacional na faixa de 24%. A operação no Brasil segue com margens historicamente baixas, mas a empresa sinalizou que cortes de custos e despesas devem continuar a contribuir para a melhora operacional e de margens nos próximos trimestres. Na sequência, as expectativas de elevação para 16% no percentual de biodiesel no diesel e para 32% o de Etanol na gasolina, ajudaram a melhorar expectativas para os resultados da 3Tentos, que subiu 5% no mês.

As ações de empresas petrolíferas, que chegaram a cair ao longo do mês, recuperaram preço com a elevação do petróleo e ajudaram a trazer o IBOVESPA para a estabilidade. No nosso caso, as ações da São Martinho encerraram o mês com queda de 23,7%, por conta do recuo forte do açúcar, de 6,8% e da oferta de etanol mais abundante dada a safra atual. As ações da Suzano tiveram forte recuo no mês de 15,5%. A empresa divulgou resultados marginalmente abaixo das expectativas, muito por conta de paradas para manutenção que reduziram a produção e demandaram mais investimentos, reduzindo a geração de caixa. 

Estamos aproveitando essa volatidade para adicionar um pouco mais de beta ao portfólio, elevando a exposições em segmentos que tendem a se beneficiar com a recuperação do Brasil, após a guinada de rumo.

 

 Alocação setorial - GTI Dimona Brasil FIA

 

 

 

 


 

 

 

 

 

 

          Atenciosamente,

André Gordon.


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