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Carta do Gestor - Junho de 2026

 

Prezados cotistas,


 

O mês de junho foi marcado por menor volatilidade nos mercados globais. As principais bolsas norte-americanas encerraram o mês com sinais ambíguos; o S&P500 caiu 1,06% e o Nasdaq 0,19%, enquanto o Dow Jones subiu 2,5%. O IBOVESPA fechou o mês em queda de 1,01% enquanto o SMAL11, índice com empresas de menor capitalização caiu 2,71%.

Nossos fundos GTI DIMONA, GTI HAIFA e GTI NIMROD terminaram o mês com quedas de 4,17%, 3,90% e 5,04%, respectivamente.

Continuamos a ver o movimento de saída de investidores estrangeiros na bolsa brasileira, movimento que se iniciou no mês de abril. Esse investidor que chegou a ingressar com mais de R$ 65 bi agora acumula ao longo do ano um saldo positivo de menos de R$ 35 bi, ou seja, uma significativa retirada de recursos ao longo dos últimos meses.

O destaque do mês ficou por conta do esperado IPO da SpaceX, empresa de Elon Musk que captou USD 80 bi. Foi o maior IPO da história e a empresa de Musk ultrapassou o valor de mercado de USD 2 tri, mais do que dobro do valor de mercado de todas as empresas brasileiras listadas.

  Há certa preocupação com os elevados gastos com infraestrutura que estão no orçamento das principais empresas norte-americanas de tecnologia, preocupação essa que foi postergada durante esse esforço conjunto de Wall Street para que a oferta fosse um grande sucesso.

Segmentos como o de IA são disruptivos, mas nada garante que em alguns anos, a concorrência possa levar os preços para frações daqueles praticados atualmente. Quando uma empresa é negociada dezenas de vezes o seu faturamento, exige-se dos investidores mais fé do que racionalidade.

 

Enquanto a guerra entre Rússia e Ucrânia apresentou alguma escalada com os ataques ucranianos a equipamentos russos, Irã e EUA pareceram se aproximar de um

acordo que faça algum sentido para o governo Trump e que seja palatável para a Guarda Revolucionária, preservando sua credibilidade junto aos seus apoiadores dentro e fora do Irã. A reabertura do Estreito de Ormuz levou o petróleo a cair mais 20%, voltando para a faixa de USD 70 o barril. O CRB, principal índice de commodities caiu 7% em junho, também pelos dados mais fracos vindos da China, que levaram o minério de ferro a cair 6% e o alumínio quase 16%.

Na reunião de junho, os diretores do FED optaram pela manutenção na taxa básica de juros em 3,75%. O novo presidente do FED, Kevin Warsh, sinalizou mudanças na comunicação, retirando o foward guidance, o que adiciona alguma volatilidade aos mercados.

O mercado passou a precificar, ao menos, uma elevação na taxa básica até o final deste ano e com elevada probabilidade de mais um aumento até meados de 2027. A curva de juros se deslocou para cima, em maior grau na sua parte mais curta, levando o dólar a se apreciar 2,2% em relação a cesta de moedas.

Já o nosso COPOM optou por cortar 0,25% da taxa Selic, para 14,25%, a despeito da piora sequencial em relação a expectativa de inflação e recente depreciação do dólar. A realidade é que, como já falamos por inúmeras vezes, não há razoabilidade em conjugar política monetária tão contracionista com a atual política fiscal expansionista. A relação entre dívida líquida e PIB se aproxima rapidamente do nível de 70%, se expandindo em velocidade de 4% ao ano, com o atual déficit nominal de 8% ao ano. O medo de que as despesas oriundas do pagamento de juros ajudem a tornar a trajetória da relação entre dívida e produto insustentável supera os efeitos sobre a desaceleração da inflação.

  Teria o BCB dado um recado tímido de que teria feito sua parte, mas diante da realidade, melhor aceitar mais inflação? Se sim, por quanto tempo o governo conseguirá financiar sua dívida sem ser obrigado a pagar juros ainda mais elevados?

O fato é que em outubro teremos eleições, o que deveria trazer alguma esperança de alteração na condução das políticas macroeconômicas no país. Hoje, até esse cenário nos parece menos favorável diante dos ataques que a principal candidatura de oposição tem sofrido. Ainda há muita água para passar por debaixo dessa ponte e não faltem problemas para desgastar a candidatura do atual presidente desde os escândalos de corrupção até o desastre nas contas públicas.

O destaque positivo ficou por conta de boas empresas domésticas como a Log CP, que subiu 12,8% após anunciar elevado pagamento de dividendos, com mais de 10% de yield ou da Tupy, que após a substituição de seu CEO com vasto conhecimento do mercado de atuação da empresa e afastando o risco de intervenção política, subiu 15,5%.

Do lado negativo estiveram as empresas de commodities, apesar da alta do dólar, mais do que compensada pela queda de preços do minério, da soja, do algodão e da celulose. A SLC caiu 16,7% enquanto Vale e Suzano pouco mais de 5%. Assistimos também a queda das ações da Unifique, que caiu 15,5%, na expectativa de que faria uma oferta de ações. No atual nível de preços da companhia, consideramos essa hipótese menos provável.

Mantenham os cintos afivelados, pois nos próximos 4 meses teremos muita volatilidade, principalmente pelo impacto negativo na atividade ocasionado por esse excesso de negligência de nosso Governo. A campanha eleitoral será, provavelmente, tão baixa quanto as últimas e numa sociedade bem dividida, tal como no Peru ou na Colômbia, onde os candidatos de oposição ganharam por margem apertada.

 

 Alocação setorial - GTI Dimona Brasil FIA

 

 

 

 


 

 

 

          Atenciosamente,

André Gordon.


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