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Carta do Gestor - Agosto de 2026

4 de set.
4 min de leitura

 

Prezados cotistas,

 

Nossos fundos, GTI DIMONA, GTI HAIFA e GTI NIMROD, subiram 1,21%, 1,04% e 3,39% respectivamente em agosto. O Ibovespa fechou com pequena queda de 0,33% enquanto o índice de Small caps caiu 1,04%. Os mercados internacionais foram bem, com o S&P500 e Nasdaq subindo 2,6% e 4,18%. O dólar teve ligeira queda de 0,5% no mês, mas se valorizou 2,2% frente ao real. As commodities também tiveram um bom desempenho com alta de 6,6% e destaque para as agrícolas. Açúcar subiu 21,5% enquanto o algodão subiu 14,2% e a soja 7,5%.

Parte desse movimento se deve a uma possibilidade de um equilíbrio de oferta e demanda mais apertado, principalmente no caso do açúcar, com menor oferta na Índia, e no algodão que tem uma correlação elevada com o petróleo e que continua em patamares mais elevados.

No Brasil, a expectativa é de menor nível de chuvas na região do centro-oeste e oeste da Bahia caso os efeitos do El Niño de fato se concretizem. Não temos como prever, nesse momento, o efeito desse evento na operação de nossas empresas, mas eventuais reduções de oferta poderão sustentar preços mais elevados. Se a redução da oferta acontecer, majoritariamente, nos EUA ou Argentina, por exemplo, os efeitos para o Brasil seriam positivos.

Nos EUA, um discurso mais hawkish por parte de Kevin Warsh, presidente do FED, sinalizando que a instituição poderia ter mais trabalho caso a velocidade de convergência da inflação para 2% não estivesse na velocidade adequada, aumentou a probabilidade de elevação das taxas de juros ao longo da curva e fortalecimento do dólar. O Tesouro americano, imbuído da “missão” de ao menos evitar o fortalecimento do dólar, ampliou as operações de compra de títulos longos e emissão de curtos. Já o petróleo chegou próximo de USD 70/boe no início do mês, mas após novos ataques norte-americanos contra o Iran, voltou para o patamar de USD 90/boe.

 

 

No Brasil, o COPOM se reuniu no início do mês e decidiu por um corte de 0,25% na taxa básica, para 14% ao ano. A decisão parece menos amparada na realidade dos dados do que na expectativa de que irão melhorar “quando e se”. Não descartamos que haja um certo desconforto por parte dos diretores quanto ao elevado nível da Selic por um tão prolongado período, e seus impactos sobre o endividamento das famílias por um lado, e o número recorde de empresas entrando em recuperação judicial e extrajudicial pelo outro. Isso sem falar, é claro, no descontrole das contas públicas e os efeitos que a elevada taxa de juros real provoca sobre a explosiva trajetória entre dívida e produto.

Mas para o IBOVESPA que chegou a cair quase 7% no mês, seguindo um fluxo intenso de retirada de recursos de investidores estrangeiros no início do mês, ter fechado com queda de apenas 0,33% foi motivo para comemoração. Parte dessa recuperação parece ter se dado com a mudança de humor em relação ao cenário político-eleitoral.

Parte considerável do mercado já dava como certa ou muito provável a reeleição de Lula, que inclusive tem feito questão de enfatizar em sua campanha de que não há problema nenhum em relação aos elevados gastos públicos. Continua dizendo que quer arrecadar no “andar de cima” para seguir gastando com o “andar debaixo”.

  Ao longo do mês, entretanto, o escândalo de corrupção envolvendo o filho do presidente parece estar começando a desgastar a popularidade do Lula, elevando ainda mais o nível de rejeição. Do outro lado, Flavio Bolsonaro vem indicando nomes para compor sua equipe como Adolfo Saschida e Daniella Marques. Ambos trabalharam na equipe de Paulo Guedes e parecem ter o diagnóstico preciso de boa parte de nossos problemas. 

 

Diversos institutos de pesquisa já começam a mostrar um empate técnico, superando a diferença que havia subido para mais de 15%. Restando apenas um mês para o primeiro turno das eleições repetimos aqui: muita água ainda para passar sob a ponte. Seguimos com o nosso portfólio exatamente com a mesma composição estrutural: parte relevante exposta a commodities, principalmente agrícolas, celulose e minério de ferro, onde o Brasil tem grande competitividade e seria favorecido por quaisquer eventos que depreciassem o Real e outra parte exposto em setores domésticos, buscando aqueles onde os gastos sejam menos discricionários como educação e telecom ou, ainda, high quality names, em setores como financeiro e Malls, mas cujas empresas tenderiam a ser menos afetadas, caso de Itau e Multiplan.

Os destaques do mês ficaram por conta do setor agro, com São Martinho subindo 36% e SLC 20%. A elevação nos preços das comodities agrícolas e a expectativa de que esse movimento pode sustentar preços mais elevados nos próximos meses podem seguir alimentando esse movimento. O destaque negativo ficou por conta da Simpar, com queda de 14%, mas que ao longo do mês iniciou forte recuperação e tende a ser uma das maiores beneficiadas com a volta de disciplina fiscal e melhora de expectativas e eventual queda da curva de juros longa em caso de vitória da oposição.

Por fim, falta pouco para que esse processo eleitoral turbulento e eivado de aberrações nos mais diversos campos se encerre. O mercado parece reconhecer que a continuidade do atual Governo, hoje, traz consigo a incerteza do como seria feito o ajuste fiscal enquanto a mudança, de forma oposta, a maior previsibilidade. Não percamos de vista o horizonte mais longo, acima dessa turbulência provocada por uma máquina inchada, ineficiente e que, parasitária, hoje ameaça o próprio hospedeiro, os pagadores de impostos.

 

 

 

 



 

 

 

          Atenciosamente,

André Gordon.


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