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Carta do Gestor - Julho de 2023

Prezados cotistas,


No mês de julho o S&P 500 subiu 3,1% e o Nasdaq 3,8%. O Ibovespa acompanhou esse movimento, com alta de 3,2%. Nossos fundos GTI DIMONA, GTI HAIFA e GTI NIMROD tiveram altas de 2,35%, 3,14% e 3,86%, respectivamente. O dólar perdeu 1% em relação a cesta de moedas, sendo 1,18% em relação ao Real.


O FED promoveu uma alta de 0,25% na taxa básica de juros, maior nível em 2 décadas e sinalizou que o ciclo pode ter chegado ao seu final, a depender dos dados da atividade, do mercado de trabalho e dos preços. A rentabilidade dos títulos de 10 anos do Tesouro Americano voltou para o nível de 4%. A inflação já roda na faixa de 3% ao ano, ainda acima dos 2% almejados pelo FED.


Tudo indica, entretanto, que teremos um “pouso suave” e não uma queda brusca de atividade na maior economia do planeta. Muito mais incerto está o comportamento da economia chinesa, mais dependente de medidas de estímulo fiscal que tem sido anunciadas e que tem ajudado a sustentar os preços das commodities. Talvez o principal risco global de hoje repouse sobre o conflito entre Rússia e Ucrânia, apesar de estar mais distante dos holofotes. Ataques com drones tem ocorrido sobre a Capital Russa, o que pode provocar algum tipo de escalada.


Diante desse cenário de relativa calmaria externa e com os estimadores de inflação surpreendendo positivamente, o Banco Central do Brasil deve, logo mais, iniciar o processo de cortes na Taxa Selic. Boa parte do mercado já precifica em 0,5 ponto percentual a magnitude dos cortes, mas não seria uma grande surpresa se o primeiro movimento fosse de apenas 0,25 ponto percentual. Apesar do humor mais positivo após a revisão de outlook por algumas das principais Agências de Rating, estamos ainda diante de uma reforma tributária complexa, onde o Congresso não quer aumentar o volume de impostos enquanto a Fazenda se desdobra para buscar novos impostos.


Não há maiores sinais de esforço fiscal, além do mínimo necessário para a credibilidade na trajetória do endividamento público fosse mantida. O presidente acena com uma pequena reforma ministerial onde busca espaço para acomodar algumas lideranças do “Centrão”. Por um lado, a oposição pode perder força e a capacidade de evitar uma guinada ainda mais a esquerda pelo Governo, mas por outro lado o Governo também tende um pouco mais ao Centro. O paralelismo com o período que ficou conhecido por “mensalão”, entretanto, nos deixa mais apreensivos quanto ao desenvolvimento destas relações.


Os destaques positivos do portfólio foram as ações da siderúrgica Gerdau, com 16% de alta e da Vale, com quase 8%. Também destacamos a alta de mais de 10% nas ações do Pão de Açúcar, com a potencial entrada de um novo acionista, injetando capital no Casino, além da conversão de dívida em ações. Ainda assim, os planos de venda dos ativos na América do Sul estão mantidos e já houve propostas para a compra do Exito, bem acima do valor de mercado atual. O spin-off ainda depende de uma última aprovação por parte do Regulador do Mercado de Capitais Colombiano, mas assim que sair tende a ajudar a destravar bastante valor das ações da companhia. Do lado negativo, as ações da empresa de logística Sequóia perderam 40% de seu valor devido as dificuldades que a empresa tem enfrentado para vender ativos e ajustar sua operação, após o aumento de capital.


Ao longo do mês, reduzimos nossa exposição em Petrobras para 5%. Por um lado, as ações tiveram um desempenho excelente, diminuindo a nossa margem de segurança, mas por outro, começamos a ficar menos confortáveis com a nova política de preços que vem sendo praticada. Como o Governo reintroduziu impostos sobre os derivados, para que o impacto sobre o nível de preços fosse menor, a Petrobras anunciou redução de preço na refinaria. Desde então, estamos assistindo uma recuperação no preço do petróleo de forma que o desconto entre os preços praticados e o preço internacional já supera os 20%, segundo a ABICOM, de 1/8/23, conforme abaixo.



A política de dividendos foi revista, tendo sido reduzido o percentual incidente (de 60% para 45%) sobre o fluxo de caixa livre. Eventualmente, cogita-se também anunciar um programa de recompra de ações.


A empresa segue com suas vantagens naturais e forte mercado potencial cativo, mas sabemos que, tal como um sapo colocado numa chaleira tende ao imobilismo quando ela começa a ser aquecida, temos a tendência natural a nos acomodar diante de cada pequena “maldade” introduzida. Como agravante, já assistimos esse filme antes, principalmente quando a Presidente era Dilma Rousseff. Por disciplina e por cautela seguiremos com dinamismo maior no dimensionamento desta posição.


O início do processo de queda na Selic já está parcialmente precificado, mas conforme o carregamento dos títulos de renda fixa pós-fixado começam a perder atratividade, há uma tendência natural ao aumento da exposição em classes de maior risco como os Fundos de Ações. Isso deve ajudar a preservar a atual dinâmica no mercado acionário. A evolução da reforma tributária terá consequências bastante relevantes, a depender do caminho e do direcionamento que o Congresso Nacional dê ao tema.



Alocação setorial - GTI Dimona Brasil FIA


Atenciosamente,

André Gordon.

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