Carta do Gestor - Julho de 2022

Prezados cotistas,


O mês de julho trouxe um alento aos mercados globais, com forte recuperação das principais bolsas. S&P 500 subiu 9,11%, recuperando-se da queda de junho, enquanto o Nasdaq subiu 12,5%. O IBOVESPA encerrou o mês com alta de 4,69% enquanto os nossos fundos subiram 6,05% (GTI DIMONA), 6% (GTI Haifa) e 5,12% (GTI Nimrod). O dólar se valorizou 1,16% contra a cesta de moedas, com destaque para o Euro, que atingiu a paridade depois de 2 décadas. Já o Real se valorizou 1,6% diante do dólar.


A inflação alta levou o Banco Central Europeu a elevar os juros em 0,5%, na primeira alta em mais de 10 anos e o FED elevou a sua taxa básica, novamente em 0,75%, mas dando um tom mais suave tanto para o risco de recessão quanto para a perda de força da inflação. A queda de 10% no preço do petróleo também contribuiu para melhorar o humor dos mercados.


O Brasil se mostra à frente da maioria das nações no que tange à política monetária. Nosso ciclo já poderia ter sido encerrado, mas o BCB prefere ser mais conservador e tende a promover uma nova elevação de 0,5% na reunião para esse início de agosto. Gato escaldado tem medo de água fria. Enquanto EUA e Europa estavam há 4 décadas sem experimentar inflação de 2 dígitos, nós ainda temos na memória a hiperinflação dos anos 80 e 90.


Como mencionamos nas últimas cartas, as diversas reformas macro e microeconômicas tem contribuído favoravelmente para atrair investimentos. Os efeitos de mais longo prazo têm compensado os efeitos cíclicos oriundos do aperto monetário. O mercado de trabalho segue trazendo notícias positivas, com abertura de novos postos superando as expectativas. O desemprego de junho caiu para 9,3%, menor nível desde dezembro de 2015.


O governo obteve um grande sucesso em aprovar neste mês a PEC das bondades ou PEC Kamikaze para os opositores e imprensa. Entre as benesses destacamos o

vale gás, o voucher de R$ 1000 para os caminhoneiros, para compensar parte da alta dos combustíveis e o aumento em R$ 200 no auxílio Brasil. Essas medidas trarão um impacto de pouco mais de R$ 40 bi, utilizando recursos extraordinários, boa parte oriunda de dividendos extraordinários das estatais. Possivelmente a combinação entre a redução nos preços dos combustíveis, parte pela queda no petróleo, parte pela redução no ICMS para 18% e o aumento no “auxílio Brasil”, devem contribuir para melhorar a popularidade do presidente nos próximos meses, tornando a disputa eleitoral mais acirrada. Salvo pelos candidatos nanicos, aí incluída a chapa PMDB/PSDB, apenas 3 candidatos apresentam alguma relevância em termos de intenções de votos. Jair Bolsonaro e Lula, hoje em segundo turno e, bem atrás, Ciro Gomes, com 5-7% de intenções.


O grande destaque no mês, apesar da redução nos preços dos derivados, ficou por conta de Petrobrás. Essa redução diminui o risco de eventuais interferências políticas na empresa ou mudança em sua política de preços. A empresa divulgou os resultados do segundo trimestre, mostrando números fantásticos. A receita líquida cresceu 22% em relação ao trimestre anterior, atingindo R$ 171 bi. O EBITDA recorrente foi de R$ 99 bi, com margem de 57,9%, 27% acima do 1Q22 enquanto o lucro líquido recorrente foi de R$ 45 bi, com 26% de margem. A dívida líquida da empresa caiu novamente, 14,1% no trimestre e 35,3% a menos que um ano atrás e está em US$ 34,4 bi, incluindo os arrendamentos ou US$ 11,9 bi, considerando-se apenas a parte financeira. Devido a esta robusta geração de caixa e para preservar uma estrutura de capital mais eficiente, a empresa anunciou que pagara dividendos extraordinários, R$ 6,73/ ação ou mais de 20% sobre o preço da ação na véspera.


Já as ações da Vale foram o destaque negativo no mês, frustrando em termos de volume de minério de ferro e pela forte correção de preços no minério, que chegou a bater USD 90/ton ao longo do mês, depois de superar os USD 140/t ainda em abril. A empresa divulgou margem EBITDA de 47%, gerando USD 5,25 bi no trimestre e anunciou um novo dividendo, resultando em aproximadamente 5% de yield.

Seguimos bastante confortáveis com nossa exposição aos setores de commodities, apesar do risco de desaceleração da economia. Os preços de hoje nos parecem bastante atrativos, com grande margem de segurança.

A alta de juros tem prejudicado as empresas mais voltadas a atividade doméstica. As despesas financeiras subiram consideravelmente em relação ao 2Q21, enquanto o valor presente dos fluxos de caixa caiu, como reflexo desse novo patamar de 13% ao ano. Ainda assim, esperamos para a maioria delas resultados fortes, refletindo a melhora na atividade.







Alocação setorial - GTI Nimrod FIA






Atenciosamente,

André Gordon.