Carta do Gestor - Julho de 2021

Atualizado: Ago 9

Prezados cotistas,


Em julho o IBOVESPA teve uma queda de 3,9%, em movimento contrário às bolsas norte-americanas, que renovaram máximas e fecharam com altas entre 1,2% e 2,8%. Nosso fundo foi 0,8% melhor que o índice. O dólar, que chegou a ser negociado abaixo de 5, terminou o mês com valorização próxima a 5%. Diversos fatores parecem ter contribuído com esse certo mau humor em relação aos ativos brasileiros. O número de casos de Covid19 voltou a aumentar, em países como os EUA, Reino Unido e Israel, cuja vacinação já estava em etapa bastante adiantada, além de outros países europeus como a França, provavelmente por conta da variável Delta, mais transmissível. Já no Brasil, a situação evoluiu positivamente ao longo do mês, com queda expressiva no número de novos casos, assim como no número de óbitos.


A campanha de vacinação segue em ritmo acelerado. 100 milhões de brasileiros já receberam ao menos uma dose da vacina, enquanto mais 40 milhões receberam as duas doses, ou a dose única. Diante desses números, houve relaxamento à restrição de mobilidade em diversas cidades, o que contribuiu para a melhora paulatina dos indicadores de confiança. Uma das consequências dessa retomada, juntamente com o auxílio emergencial e ainda encontrando escassez de suprimentos em determinados elos da cadeia produtiva é a maior persistência do choque de preços oriundo da alta das commodities e depreciação cambial. Em função dessa pressão e para preservar as estimativas de inflação para 2022 e 2023 na meta, o COPOM optou pelo aumento de 1% na taxa Selic, levando-a para 5,25%.


Mas boa parte dessa conjuntura já estava precificada, não sendo, portanto, a causa do mau humor em nosso mercado. O que realmente pesou, novamente, são as ameaças fiscais. A fazenda tem tido grande disciplina, gastando menos e arrecadando mais e, com isso, preservando a dívida sobre o PIB em patamares bastante razoáveis.

Mas Paulo Guedes foi informado, pelo Poder Judiciário, sobre uma “bomba fiscal” ou, nas suas palavras, um “meteoro” de R$ 90 bi, de precatórios, que deveriam constar no orçamento do próximo ano. Esse valor corresponde a 3/4 das despesas não obrigatórias de 2021, ainda mais num ano eleitoral. Paralelamente, se discute uma substantiva elevação no valor do “Bolsa Família”, de R$ 190 para R$ 300, tendo se especulado sobre elevação até para R$ 400.


Essa combinação de pressão fiscal levou ao deslocamento da curva de juros para cima, o que foi dos principais causadores de impacto nas ações, principalmente nas empresas de utilities e properties. Também houve estabilização no principal índice de commodities, mas com destaque para a forte queda nos preços do minério de ferro, na segunda metade do mês e do petróleo, que impactaram as ações da Vale e da Petrobras.

O destaque do mês foi a alta de 25% nas ações da Simpar, tanto pelos fortes resultados de suas subsidiárias Movida e Vamos, quanto sua disciplina que a empresa apresentou tanto ao fazer a oferta pela Tegma, através da sua subsidiária JSL, quanto por encerrar essas negociações, após a rejeição pelo Board da Tegma, das condições de preço propostas.


Visando preservar o mesmo padrão de retornos que obtivemos ao longo dos últimos 18 anos, desde que iniciamos a gestão do então Clube de Investimentos Dimona, entendemos que era importante manter a disciplina e decidimos fechar o GTI DIMONA BRASIL FIA para novos aportes. Investimos em empresas negociadas na B3, independentemente de seu tamanho, o que faz com que possa haver importante perda de agilidade nos investimentos, principalmente nas chamadas small caps. As alternativas seriam diversificar o portfólio além do que consideramos o ideal, perdendo o foco ou reduzir a nossa margem de segurança, uma vez que os preços efetivamente realizados, tanto ao comprar, quanto ao vender as posições, poderiam ser substancialmente diferentes daquele inicialmente pretendidos.


Iniciamos em março de 2020 o GTI NIMROD FIA, com recursos dos sócios e que segue exatamente a mesma filosofia de investimentos e estratégia do GTI DIMONA BRASIL FIA, exceto pelo investimento nas small caps. Visando compensar essa restrição, o GTI NIMROD FIA terá o portfólio um pouco mais concentrado, direcionando os recursos que iriam para as small caps para posições ora de maior beta, ora nas empresas às quais nossa convicção e retornos esperados nos pareçam mais atrativos naquele momento. Nos últimos 12 meses, a correlação entre o Dimona e o Nimrod foi de 98,5%.


Um ótimo Agosto para todos.


Alocação setorial - GTI Dimona Brasil FIA



Atenciosamente,

André Gordon.