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Carta do Gestor - Julho de 2019

Prezados cotistas,


Neste mês de julho, a Câmara dos Deputados finalmente aprovou em primeiro turno a Reforma da Previdência. O projeto final aprovado em plenário deve levar o país a uma economia de, aproximadamente, R$ 900 bilhões nos próximos 10 anos. O projeto deve ser votado, em segundo turno, neste início de agosto, de onde seguirá para o Senado.

Esperamos por uma tramitação rápida no Senado Federal. Há a possibilidade de que os senadores reincluam os Estados e Municípios na Reforma, mas acreditamos que isso se daria através de uma PEC paralela, de forma a não atrasar a promulgação desta tão esperada reforma. Na Câmara dos Deputados já há os primeiros sinais para a tramitação da Reforma Tributária. Esperamos um debate intenso, mas as diretrizes vão no sentido de não aumentar a já elevada carga tributária. Como a situação fiscal do país segue delicada, também não devemos esperar por reduções de impostos. A simplificação dos impostos já seria um primeiro grande avanço e, certamente, ajudaria muito a otimizar as pesadas estruturas mobilizadas pelos pagadores de impostos.


E com o Congresso Nacional e o STF em recesso, as atenções ao longo da segunda metade do mês estiveram divididas entre as ações do FED e do COPOM. O FED reduziu em 0,25% a taxa básica de juros nos EUA, em linha com as expectativas, mas o presidente da instituição trouxe algum ruído em seu comunicado, num tom um pouco mais conservador. O presidente Trump, não deixou por menos. Ele entende que os EUA estão atrasados em relação às principais economias do mundo, mantendo sua taxa básica acima daquela necessária diante do atual quadro de inflação controlada. Já o COPOM reduziu a taxa SELIC em 0,50%, para 6%, o menor nível da série histórica e em linha com nossas expectativas. Acreditamos que, na reunião de 18 de setembro, ocorrerá mais um novo ajuste, de mesma magnitude, trazendo a taxa básica para 5,5%. Ajustes adicionais serão condicionados à velocidade de retomada da atividade. Em seu atual ritmo, ainda haveria espaço para mais um ou até dois cortes de 0,25% na taxa básica, mas os sinais de retomada da atividade começam a se mostrar com maior clareza. Nas reuniões de 30 de outubro e 11 de dezembro poderemos ter um quadro mais otimista para a atividade e de forma que certa cautela seja utilizada como prerrogativa para uma “pausa” no ajuste de nível.


E diante deste cenário, o dólar norte-americano se valorizou 2,48% diante da cesta de moedas, sendo o Real uma exceção, com apreciação de 0,9% no mês. As bolsas também tiveram oscilações positivas, com o IBOVESPA tendo subido 0,84%. Nosso portfólio teve um desempenho positivo, de 4,4%, com destaque para as empresas voltadas a economia doméstica.


O principal destaque do mês foi o desempenho estelar das ações da Via Varejo, com alta de 52,3% no mês. Com a saída definitiva do grupo Cassino do controle, o CEO Roberto Fulcherberguer contratou Helisson Lemos para o cargo de CDO (Diretor digital), executivo com 17 anos de experiência no Mercado Livre e que estava à frente da Movile, controladora da iFood. Lemos será o responsável pela transformação digital da empresa, cujo valor de mercado ultrapassou R$ 10 bi, apenas um quinto do valor de mercado da sua principal concorrente, a Magazine Luiza, que tem 60% da receita líquida da Via Varejo, mas é vista pelo mercado como mais adiantada tanto em termos de multicanalidade de vendas quanto em Marketplace (vendas de produtos de terceiros em seu site).


A expectativa de liberação de parte do saldo do FGTS, num efeito combinado que pode chegar a R$ 30 bi, também contribuiu para melhorar o ânimo do setor, principalmente para aquelas empresas voltadas para as classes B e C. As ações da Guararapes tiveram alta de 20,4% no mês e foram a segunda maior contribuinte para nosso desempenho.


Também vale destacar o desempenho das ações dos nossos Shopping Centers. Nos próximos dias, as ações de Aliansce (ALSC3) serão convertidas em ações da Sonae Sierra (SSBR3), multiplicando a sua liquidez. O desempenho dos seus shoppings centers seguiu positivo ao longo do segundo trimestre, com aumento tanto nas vendas dos lojistas quanto dos aluguéis, assim como das principais métricas operacionais. Foi o melhor trimestre dos últimos 5 anos. Já a BR Malls concluiu mais uma venda, agora de 7 shopping Centers, secundários em seu portfólio, totalizando R$ 700 mi e cujos recursos serão devolvidos para seus acionistas. Faz pouco mais de 2 anos que a BR Malls vem se destacando em otimizar seu portfólio, concentrando os investimentos nos principais ativos e alienando aqueles cuja geração de valor para a empresa era pequena. Nos últimos 9 meses a BR Malls retornou R$ 1,2 bi para seus acionistas ou pouco mais de 10% de seu atual valor de mercado.


Como destaques negativos de julho apontamos tanto as ações da Itaúsa, com queda de 3,26% no mês, quanto as empresas nos setores de commodities.


O Banco Itaú divulgou o seu resultado para o segundo trimestre em R$ 7bi, em linha com as expectativas. Em linhas gerais foi positivo, mais uma vez com ROE de 23,5%, mas o mercado vem reagindo mal em relação ao aumento na concorrência das fintechs. A carteira de crédito cresceu 2% no trimestre, com destaque para o segmento de pequenas empresas que cresceu 5,3%. Houve pequena queda na inadimplência, para 2,9%. Já o resultado com a prestação de serviços aumentou 5,1% no trimestre, apesar na queda de receita em adquirência, de 12,8%, em relação ao primeiro trimestre. A receita com a administração de fundos e o aumento nas atividades de mercado de capitais foram responsáveis por compensar essa redução. Destacamos que o banco vem tomando diversas iniciativas para reduzir suas despesas como o fechamento de 200 agências e a redução de mais de 1000 funcionários no trimestre. Foi anunciada mais uma grande distribuição de dividendos de R$ 7,6 bi para os acionistas. Essa disciplina de capital tem sido muito importante para a preservação dos retornos neste elevado patamar.


Apesar dos preços altos do minério de ferro, as ações da Vale seguiram pressionadas por conta de provisões adicionais relacionadas ao acidente de Brumadinho e caíram 3,88% no mês. Os riscos associados à guerra comercial entre EUA e China têm gerado incertezas quanto a manutenção de preços das principais commodities nos atuais patamares. Nossa visão quanto ao tema é um pouco mais cética do que a do mercado. Entendemos que nas táticas de negociação nem sempre os discursos ou medidas intempestivas devem ser vistas como definitivas. O presidente Trump tem contra si o calendário eleitoral e as diversas pressões oriundas de campos distintos da sociedade democrática. Já o presidente Xi Jinping pode contar com longo horizonte de tempo, além da centralização de poder, para tomar suas decisões. Mas tanto China quanto EUA precisam fortalecer as relações comerciais entre os países. No final, devemos esperar um equilíbrio que seja melhor para os EUA e sem, contudo, gerar grandes solavancos para a economia chinesa, que terá que se adaptar à melhores práticas concorrenciais. Eventualmente o Brasil poderá ser beneficiário, no curto prazo, por ter boas relações com ambos e, ser grande produtor de produtos agrícolas.


Percebemos que, apesar da forte alta nas empresas de consumo e varejo, ainda é possível encontrar algumas barganhas em nosso mercado, tanto em termos relativos, quanto em setores cuja temática está “fora de moda”. Historicamente somos conhecidos por fugir dos “modismos” em busca por ativos que se mostrem subavaliados. E desta vez não é diferente.


Atenciosamente,

André Gordon


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