Carta do Gestor - Janeiro de 2021

Prezados cotistas,


Começamos o ano de 2021 com esperanças de volta à normalidade, conforme a vacinação contra a Covid19 ganha escala. Os principais países afetados pela pandemia iniciaram a vacinação em massa através de 5 principais vacinas. O Brasil se juntou a este grupo no final do mês e conta com um sistema público de saúde com grande capilaridade e boa logística para essas campanhas. A expectativa é que conforme o processo avance, o número de internações e óbitos caia mais acentuadamente, permitindo a volta de circulação das pessoas. Observaremos atentamente o caso israelense, país que já vacinou metade de sua população. Nas próximas semanas constataremos quais os resultados práticos dessa imunidade em termos de novas internações.


Também destacamos a transição presidencial nos EUA. Joe Biden assumiu a presidência no dia 20, depois de um tumultuado processo eleitoral e que culminou com a invasão do capitólio, no dia 6. O novo governo prega a união nacional, mas as lideranças democratas, em direção oposta, abriram um processo de impeachment contra o então presidente Trump e insistem nele, mesmo com o seu mandato encerrado. O processo tem poucas chances de prosperar, uma vez que 45% dos senadores o consideraram inconstitucional. O “Trumpismo” se mostra um movimento muito forte e que despertou o Partido Republicano, evidenciado pelos 74 milhões de votos recebidos por Trump, segunda maior votação da história. Não descartamos, entretanto, que essa divisão na sociedade norte-americana continue aumentando, podendo implicar em maior risco político.


Diante da iminência de um novo pacote fiscal, as principais bolsas atingiram novas máximas no mês, seguido por uma pequena correção. Já no Brasil, a piora da pandemia, com destaque para o colapso do sistema de saúde no Estado do Amazonas, gerou grande volatilidade, com o Real perdendo 5,4% de seu valor enquanto o IBOVESPA caiu 3,3%. Rodrigo Maia ameaçou tirar da gaveta os pedidos para abertura de processo de impeachment e a temperatura em Brasília aumentou consideravelmente às vésperas das eleições para a presidência das casas legislativas.


Apesar dos esforços de Rodrigo Maia e da pressão do governador de São Paulo junto à sua bancada de deputados em favor da candidatura de Baleia Rossi, o deputado alagoano Arthur Lira acabou vencendo por 302 votos contra 145 a disputa pela Presidência da Câmara dos deputados. Podemos considerar que este resultado, foi uma grande vitória para o presidente Jair Bolsonaro, ainda que não haja um alinhamento automático entre Lira e ele. Diante deste cenário, o governo Bolsonaro deve entrar numa nova fase. Na vitória alternativa de Baleia Rossi, provavelmente encontraríamos no Congresso uma linha de ação que iria de encontro à agenda do executivo e, provavelmente, assistiríamos uma versão ainda mais intensa do que foram os últimos meses do governo Temer, com o que se chama de “fritura lenta” ao Bolsonaro. Arthur Lira, em sentido oposto, deve favorecer a retomada da agenda de reformas, com destaque para a PEC emergencial, a reforma administrativa e a reforma tributária, além de votar pela independência do Banco Central.


Não acreditamos que teremos o modelo “rolo compressor”, já que, como dissemos, o alinhamento não será automático, mas, certamente, quanto maior for a participação de integrantes dos partidos do chamado “centrão” no governo, maior será o alinhamento e a agilidade nas tramitações das reformas. Lembramos que todos esses temas já foram exaustivamente debatidos ao longo dos últimos anos. Possivelmente temas como a PEC para a prisão em segunda instância devem ser de maior complexidade e divergências.


Notamos que nas últimas semanas os principais indicadores de inflação apresentaram ligeira melhora, mas ainda se encontram acima da zona de conforto. As projeções de inflação para os anos de 2021, 2022 e 2023 ainda se encontram nas metas estabelecidas de 3,75%, 3,5% e 3,25% ao ano, porém sob uma taxa Selic mais elevada. A luz deste cenário, o COPOM manteve a taxa Selic em 2%, porém retirou o foward guidance que vinha sendo usado há 6 meses e conforme a sinalização feita em dezembro. Não acreditamos, entretanto, que a Selic será elevada na próxima reunião.


A atividade deve sentir o efeito do fim do coronavoucher de forma que as pressões inflacionárias devem continuar cedendo, contribuindo para que as expectativas de inflação de mais longo prazo sigam ancoradas ou voltem para abaixo da meta no horizonte relevante. A retomada da agenda de reformas, com destaque para a PEC emergencial seria absolutamente relevante para que não se abandone o regime fiscal, preservando o respeito ao teto dos gastos. Obviamente que diante de impasses no Congresso, os reflexos se darão através da elevação da Selic.


Teremos aproximadamente 3 meses até a segunda reunião do COPOM, quando teremos maior clareza quando ao início do ajuste na política monetária. A curva de juros já precifica, entretanto, um movimento que nos parece muito superior ao necessário.


Fechamos janeiro com variação de -1,56%, 1,8% acima do IBOVESPA. Os principais destaques do portfólio ficaram por conta da alta de 12,5% nas ações da rede de farmácias Pague Menos e da empresa de logística Sequoia, com alta de 22.5%. As empresas de properties sofreram, novamente, ante a expectativa de aumento nas restrições para o funcionamento do comércio em SP e outras regiões do país.


“O pessimista vê dificuldade em cada oportunidade; o otimista vê oportunidade em cada dificuldade”

Winston Churchill


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Atenciosamente,

André Gordon

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