Carta do Gestor - Janeiro de 2019

Atualizado: 5 de Fev de 2019

Prezados cotistas,


Que este ano de 2019 seja, de fato, um divisor de águas. Que possamos substituir os sonhos e a esperança por ações concretas. Ações estas no sentido de retomada da disciplina fiscal e da seriedade no trato da coisa pública. Partindo-se de uma gestão eficiente, boa parte das mazelas que afligem o país, há décadas, serão substituídas pela retomada da confiança em nossa nação.


Os primeiros movimentos do novo governo foram positivos. Com um ministério repleto de nomes notáveis e desvinculados das costumeiras negociatas que precedem as indicações políticas, o atual governo terá grande independência para conduzir os principais temas de sua agenda. O governo goza de boa popularidade, ainda que um dos principais esportes da atualidade entre os mais tradicionais veículos de imprensa tem sido procurar problemas onde não existem ou amplifica-los onde são pequenos.


Houve algum desgaste de imagem por conta de investigações do COAF acerca de assessores de deputados estaduais da ALERJ, e que apresentaram movimentações financeiras atípicas, em particular o assessor do então deputado estadual e hoje senador da República Flávio Bolsonaro, Fabrício Queiroz. Há indícios de que muitos deputados teriam em seus gabinetes a prática da “rachadinha” (recolhimento de parte dos proventos dos assessores para diversas finalidades), mas quando o deputado é filho do presidente da República, obviamente, o fato ganha maior destaque. O Senador, além de ter demorado para esclarecer as suas próprias movimentações financeiras, pediu para que o STF se pronunciasse sobre o foro adequado, no caso dele passar a ser investigado, o que se mostrou um movimento equivocado. Após alguns esclarecimentos, o caso perdeu força, mas pode voltar a assombrá-lo de acordo com as explicações de Fabrício.


A grande vitória do governo e que pode ser creditada ao Ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, se deu na eleição do desconhecido Davi Alcolumbre, do Democratas (DEM), para a presidência do Senado, derrotando o perigoso e ardiloso Senador Renan Calheiros que, conhecedor do regimento da casa como poucos, poderia se tornar uma grande ameaça ao processo de reformas. Na Câmara dos Deputados foi eleito presidente Rodrigo Maia, também do DEM. Rodrigo Maia sempre se mostrou comprometido com uma agenda econômica mais liberal e, ao menos no que couber às presidências das casas legislativas, o governo não deve encontrar grandes resistências. Aguardamos para este mês de fevereiro o envio do projeto da principal reforma, a Previdenciária.


Mas durante o recesso parlamentar o que realmente influenciou o bom desempenho nos mercados foi o cenário externo. O FED deu indicações de que o ciclo de aperto monetário vem cumprindo seu papel e, assim sendo, novas elevações nos juros são improváveis para este ano. O dólar sofreu ligeira depreciação em relação à cesta de moedas, mas em relação ao Real perdeu quase 6% de seu valor. Também houve nova redução nos títulos de 10 anos do tesouro norte-americano, que fecharam o mês com retorno anual de 2,6%. Os principais índices de ações tiveram expressiva alta, com destaque para os 9,1% do Nasdaq e de 7,8% para o S&P. O IBOVESPA subiu 10,8% no mês, tendo superado seu recorde em 11 dos 22 pregões. Nosso portfólio superou o IBOVESPA, encerrando o Mês com alta de 13,3%.


O destaque positivo do mês ficou por conta do excelente desempenho das ações da SABESP, com alta 37,7%. As ações da empresa estavam sendo negociadas por dois terços do valor de seus ativos e oferecendo boa relação entre retorno e risco, principalmente à luz de melhora em sua gestão. Quando o Secretário da Fazenda do Estado de SP, Henrique Meirelles, colocou a privatização da empresa como primeira opção, melhoraram as expectativas quanto a este esperado choque de gestão. A alternativa à privatização seria um aumento de capital na holding a ser criada e que passaria a deter o controle da empresa. Também destacamos a forte alta das subsidiárias do grupo Cassino, tanto as ações do Pão de Açúcar, que subiram 20,1%, quanto as ações da Via Varejo, com alta de 36,7%. Peter Estermann (Diretor Presidente do GPA), também assumiu como CEO da subsidiária Via Varejo, cargo que só deve deixar após a venda da companhia. Peter declarou que os resultados operacionais da empresa, nos últimos três meses, já começam a sinalizar uma aceleração no crescimento. Já o negócio alimentar do grupo teve crescimento anual de 12,1% no 4Q18, com destaque, novamente, para as lojas sob a bandeira Assaí, com 23,4% de crescimento, sendo 9,9% no conceito mesmas lojas. Outro fator positivo foi que além do “atacarejo”, todas as bandeiras de multivarejo tiveram desempenho positivo, inclusive no conceito mesmas lojas, com destaque para as lojas de conveniência.


Não podemos deixar de mencionar a tragédia ocorrida em Brumadinho-MG, quando uma barragem de rejeitos de mineração, construída segundo o processo de alteamento à montante, se rompeu, provocando a morte de mais de 300 pessoas, a maioria de funcionários da Vale. A empresa atravessava seu melhor momento financeiro, com forte geração de caixa, após a entrada em operação da Mina de Serra Sul no Pará. Apesar do receio quanto a desaceleração da China, os preços do Minério de Ferro tiveram comportamento melhor que as demais commodities, o que era responsável pelo bom desempenho das ações da empresa até o acidente. Mas a recorrência deste tipo de evento num período e três anos e o temor de que a empresa estará sujeita a pesadas multas e processos levou a uma perda de um quarto de seu valor de mercado. Não tínhamos posição em ações da empresa, cujas ações respondem por 12% do índice IBOVESPA.


Atenciosamente,

André Gordon


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