Carta do Gestor - Agosto de 2021

Prezados cotistas,


O mês de agosto trouxe novos recordes de alta para o S&P, que ultrapassou os 4.500 pontos, após subir 2,9%. As principais bolsas do planeta acompanharam este movimento, mas o Ibovespa, na contramão, caiu pelo segundo mês consecutivo, desta vez 2,48%. O dólar se apreciou contra a cesta de moedas sob a perspectiva, ainda distante, redução nos estímulos monetários. O Real, entretanto, se valorizou 1% no mês, depois de se recuperar de perdas que chegaram a 4%.


Esse descolamento de nosso mercado não foi sem motivos. O PIB do segundo trimestre teve ligeira queda, de 0,1%, abaixo das expectativas, enquanto as pressões inflacionárias se mostram persistentes, alimentadas pelo risco de um racionamento de energia elétrica. Os preços de commodities ficaram estáveis no mês, apesar da forte queda do minério de ferro, de 15%. Não podemos desconsiderar a crise institucional que o país atravessa, com o ativismo judiciário avançando, ora sobre o Poder Legislativo, ora sobre o Poder Executivo. O nosso sistema de freios e contrapesos tem se mostrado ineficiente, uma vez que o Senado Federal, casa com a prerrogativa para julgar os eventuais abusos do Poder Judiciário, tem diversos senadores com inquéritos e processos abertos no STF, num claro exemplo de conflito de interesses.


A sociedade brasileira tem assistido a prisões de jornalistas, lideranças políticas e até um deputado, em “atos de ofício”, sem passar pelo devido ordenamento jurídico, além da censura e asfixia econômica sobre dezenas de blogueiros e ativistas do campo conservador. Em paralelo, o ex-presidente Lula, reabilitado por uma manobra pouco republicana e que se deu em 3 etapas, já se mostra mais à vontade até para tratar, inclusive, de temas como o “controle social da mídia”. Mas isso é Brasil, um país onde uma Emenda Constitucional ou reforma importante pode ficar por anos tramitando no Congresso Nacional, sem perspectivas de aprovação, mas, contudo, pode acabar sendo aprovada, num rito acelerado, quase que num piscar de olhos, quando menos se espera. E assim estão as reformas administrativa e tributária. Ora parecem que, finalmente, serão aprovadas, ora parecem que voltarão para suas gavetas.


A vacinação segue em ritmo acelerado e, o percentual de brasileiros vacinados ultrapassou o de norte-americanos. Enquanto alguns países como o Reino Unido, França, EUA e Israel, de forma surpreendente, voltaram a ter picos nos novos casos de Covid19, majoritariamente atribuídos à variante Delta, o Brasil segue em direção oposta, com queda diária tanto no número de novos casos quanto no de internações e óbitos. A variante Delta também já é dominante em algumas regiões, mas, aparentemente, com menor letalidade.


Nosso portfólio teve um desempenho negativo, de 1,3% inferior ao do Ibovespa. Contribuíram para a queda no mês a forte queda no preço do minério de ferro. Gostamos de destacar que, mesmo com o minério sendo negociado na faixa de USD 90 por tonelada, encontramos nas ações da Vale um potencial de apreciação bastante expressivo, de 80%. Mesmo com a queda no mês, o minério se encontra acima e USD 150/ton. As ações caíram 9,3% no mês. As ações de siderurgia também tiveram desempenho negativo, em particular, as da Gerdau, com queda de 8,7%.

A piora nas perspectivas de inflação contribuiu para deslocar a curva de juros em torno de 1% para cima, o que afetou bastante as nossas empresas de varejo e de properties, que tiveram quedas em torno de 10%. Por fim, também destacamos uma forte correção nos preços de ações consideradas tech stocks e suas correlatas, muitas das quais oriundas de IPOs recentes.


Nosso portfólio não tem exposição direta a estes ativos, geralmente empresas com avaliações de mercado menos convidativas, geralmente caras e dependentes de um forte crescimento de suas receitas. As expectativas acabam sendo frustradas diante deste cenário com juros mais altos e crescimento menor. Não podemos deixar de destacar a alta de 7% nas ações da Petrobrás. A empresa entregou mais um resultado trimestral excelente, com forte geração de caixa e redução de endividamento.


Também houve o anúncio da venda de mais uma refinaria, seguindo a estratégia de focar nos ativos mais rentáveis de exploração em águas profundas e ultra profundas. Tanto a Petrobras quanto a Gerdau e a Vale foram os grandes destaques em termos de resultados e, seguem com expectativas bastante positivas para os próximos trimestres. A Suzano e a JBS não ficaram muito para trás, também com forte geração de caixa e se beneficiando do câmbio depreciado.



Alocação setorial - GTI Dimona Brasil FIA




Alocação setorial - GTI Nimrod FIA



Atenciosamente,

André Gordon