Carta do Gestor - Agosto de 2018



Prezados cotistas,


Em agosto, o índice IBOVESPA teve uma correção de 3,2%, movimento em direção contrária ao dos principais índices norte-americanos, como o S&P, que superou os 3% de alta e do Nasdaq, com alta de 5,8%. O dólar se valorizou em relação às demais moedas do planeta, mas em especial em relação às moedas dos países emergentes. As crises na Turquia e na Argentina ajudaram a potencializar esse movimento e o Real perdeu quase 8% de seu valor ao longo do mês, isso em meio ao recuo de 3,3% na remuneração dos títulos do tesouro norte-americano de 10 anos, que encerraram o mês a 2,86%.


Pelo segundo mês consecutivo pudemos perceber a retomada da atividade, ainda que num ritmo mais lento do que antes da greve dos caminhoneiros, ao mesmo tempo que os indicadores de inflação voltaram a se acomodar em torno do centro da meta. A capacidade utilizada na indústria, referente ao mês de julho, atingiu 77,3% enquanto houve a criação de 43 mil postos novos de trabalho, levando o desemprego para 12,3%. A maior surpresa do mês ficou por conta dos resultados fiscais ligeiramente melhores do que o esperado. A equipe econômica merece o crédito por ainda ser o último bastião de resistência do atual governo contra os diversos tipos de populismos que assolam o país nesse período eleitoral.


Com a elevação de pouco mais de um ponto percentual na curva de juros doméstica, a taxa de juros pré-fixada para títulos de 10 anos atingiu 12,2% ou 5,7% acima da taxa básica de juros. Esta inclinação da curva de juros é insustentável por longos períodos. O mercado está nos dando o recado de que sem a reforma da previdência e sem o equilíbrio fiscal, provavelmente voltaremos a ter pressões inflacionárias e, consequentemente, elevação na taxa Selic. Acreditamos que o próximo presidente se debruçará sobre esse tema e buscará trata-lo de imediato, já a partir do período de transição entre os governos. Este será o principal tema para depois das eleições. Neste caso, a resposta do mercado também deverá ser rápida e, provavelmente, haverá uma correção para baixo nas taxas de juros mais longas. Seguimos com parte relevante de nosso portfólio investida em setores como utilities e shopping centers, que têm, fluxo de caixa mais estável e que responderiam imediatamente à queda nas taxas longas de juros.


Apesar da queda de 8% nas ações da BR Malls como reflexo do movimento altista nos juros, nosso portfólio teve um desempenho 2,5% superior ao do IBOVESPA, fechando o mês com queda de 0,7%. O desempenho das ações da Guararapes (9,7%) e da Cia. Hering (11,3%),devido a expectativa de melhora nas vendas em agosto, contribuiu para este resultado.


Alocação setorial - GTI Dimona Brasil FIA

No último dia do mês começou a propaganda eleitoral gratuita, última etapa deste longo e interminável ciclo político que pretende devolver a estabilidade à vida dos brasileiros. O PSDB e sua coligação terão quase 40% do tempo de TV, o que confere ao Geraldo Alckmin uma forte vantagem em relação aos demais candidatos. As primeiras impressões que tivemos é que a coligação parece não otimizar o uso desta ferramenta. Como resultado, o desempenho do ex-governador decepciona. Em paralelo, tivemos a decisão do TSE confirmando a inelegibilidade do Lula, condenado em segunda instância e atualmente cumprindo sua pena de 12 anos de prisão. O PT, entretanto, insiste com a candidatura de Lula buscando esgotar, através de liminares, todas as possibilidades existentes para registra-lo. Segundo os principais institutos de pesquisa, Lula figurava com mais de um terço das intenções de voto. A principal explicação para esta excrescência, acreditamos ser a ignorância de boa parte dos brasileiros a respeito do status quo de Lula. Como o ex-presidente tem sido poupado pelos seus opositores e também pelo noticiário e seus crimes têm sido preteridos em relação a outros escândalos, ele capturou uma certa rejeição aos demais candidato. Essa estratégia do PT é arriscada e tende a impedir que Fernando Haddad, atualmente anunciado como candidato a vice, absorva a maior parte deste eleitorado de Lula.


Jair Bolsonaro permanece consolidado na liderança com algo entre 20% e 25% das intenções de voto. Acreditamos que há ainda o eleitor tímido, que esconde seu apoio ao capitão da reserva, com receio de ser criticado em suas redes. Levantamos este ponto que em paralelo ao risco de termos um recorde de votos inválidos, pode levar Bolsonaro a uma vitória em primeiro turno caso ele atinja entre 30% e 35% dos votos.

Nosso cenário base, entretanto, ainda contempla um segundo turno incluindo Bolsonaro e um dentre os quatro candidatos que hoje se encontram entre a segunda e a quinta posição. Alckmin precisa trabalhar melhor sua campanha televisiva, o PT precisa deixar a rebeldia adolescente de lado, Ciro Gomes precisa controlar sua língua e escolher entre ser aquele velho “coronel” ou um neo-progressista, para herdar os votos de Lula e Marina Silva, apática como sempre, precisa torcer para que os três anteriores não desempenhem bem.


Em setembro devemos seguir com alta volatilidade, salvo Bolsonaro avance indicando uma vitória no primeiro turno ou Alckmin se consolide como segundo colocado. Marina Silva acena com um programa econômico muito parecido com o do PSDB, ao menos no primeiro momento, enquanto a ascensão de Ciro Gomes ou de Fernando Haddad terão efeitos bastante negativos sobre as expectativas. O que nos deixa um pouco menos receoso quanto a maioria dos candidatos é que o ataque ao problema fiscal deverá ser consensual. Não há alternativas razoáveis e, postergar as ações, apenas aumentará custos e desgastará o presidente.


Olhamos para o futuro e, neste momento, encontramos excelentes oportunidades de investimentos em diversos setores e empresas. A ressalva só é devida no caso dos dois postulantes que ameaçam aprofundar os desequilíbrios. Aqueles que preferem esperar por maior visibilidade devem apenas atentar para o fato de que sentam nas janelinhas apenas os primeiros a entrar no trem.


Atenciosamente,

André Gordon

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