Carta do Gestor - Abril de 2021

Prezados cotistas,


Abril foi um mês bastante positivo, com nosso fundo subindo 6,97%, com o IBOVESPA tendo subido 1,94%. Alimentadas pela euforia de um novo pacote fiscal e pela liquidez abundante, os principais índices norte-americanos também tiveram forte desempenho, com alta de 5,2% para o S&P e 5,87% para o Nasdaq. O dólar se depreciou 2,1% frente à cesta de moedas, em particular, o Real, que se apreciou 3,5% no mês.

Os países com campanha de vacinação mais adiantada estão voltando à normalidade, com destaque para Israel, Reino Unido e Estados Unidos. No Brasil, a vacinação avança, com 14,5% da população já tendo recebido a primeira dose enquanto 7% ambas. Com a imunização dos mais idosos, começamos a ver uma reversão na curva de internações e de óbitos neste grupo, apesar da nova cepa estar se mostrando bem mais transmissível que a anterior.


Finalmente, houve acordo para aprovação do orçamento de 2021, com quatro meses de atraso. Entre as receitas estimadas e subtraído o dispêndio para financiamento da dívida e das estatais, o teto de gastos de R$ 1,5 tri será ultrapassado em R$ 250 bi, basicamente por conta dos gastos extras relacionados à pandemia. Também houve um bom avanço na agenda econômica, com o leilão de 22 aeroportos, arrecadando R$ 3,3 bi, além de garantir mais R$ 6 bi de investimentos e de um trecho da ferrovia de integração Oeste-Leste, por uma mineradora, e que levará a mais R$ 5 bi em investimentos. No último dia do mês, foram leiloadas três dos quatro blocos da companhia de saneamento do Rio de Janeiro, a CEDAE, por R$ 22,6 bi.


Essa concessão levará ao investimento de R$ 30 bilhões, sinalizando o grande potencial que o setor de saneamento possui. Lembramos que tal leilão só foi viabilizado após a publicação do Novo Marco do Saneamento, em março de 2021. Se por um lado o governo federal conseguiu avançar em sua agenda econômica, gerando um fluxo de boas notícias, por outro lado, a oposição resolveu apostar suas últimas fichas para a eleição de 2022 na criação da CPI da Covid19. Provavelmente esta CPI significará apenas mais um palanque para ataques ao presidente, mas que podem ser frustrados caso alguns dos casos de corrupção nos Estados ganhem o protagonismo, o que tenderia a levar o relator e a comissão a acelerar seu final. As manifestações de 1º de Maio em apoio ao presidente tendem a esvaziar essa comissão.


O BC promoveu, agora no início de maio, mais uma elevação de 0,75% na taxa Selic, para 3,5%, em linha com as expectativas. Esse processo objetiva reconduzir as expectativas de inflação para a meta, principalmente a luz do desequilíbrio fiscal aprofundado com a Covid19. E se o mercado de trabalho segue nos trazendo notícias mais animadoras no que tange à abertura de novas vagas, ainda temos um desemprego superior a 14,4%, o que tende a reduzir pressões inflacionárias, desde que o governo persiga o equilíbrio fiscal. Também entendemos que a retirada do auxílio emergencial ao longo do segundo semestre levará a um recuo das pressões sobre a demanda. O principal índice de commodities, o CRB, já acumula alta de 20% no ano, principalmente pela forte demanda de matérias primas pela China, além da recuperação das principais economias turbinadas por pacotes fiscais agressivos.


O elevado preço do minério de ferro, assim como a safra forte e beneficiada pelo câmbio fraco, levou a nossa balança comercial ao seu recorde, com superávit mensal de USD 10,4 bi. Nosso portfólio foi beneficiado pelo desempenho das ações da Gerdau e da Vale, empresas dentre as mais beneficiadas desta dinâmica positiva e com forte geração de caixa. As empresas mais voltadas para a atividade doméstica também tiveram forte alta no mês, ante as expectativas da redução das restrições à mobilidade. O setor de vestuário foi movimentado pela oferta feita pelo grupo SOMA à tradicional Cia. Hering, oferecendo mais de 50% acima de seu valor de mercado, chamando a atenção para os baixos preços de outras companhias listadas no setor, como a Guararapes, dona da rede Riachuelo, que subiu 22,4% no mês.


As ações do Pão de Açúcar também subiram 22,8%, alimentadas pela expectativa de oferta de ações da C-Nova. A rede brasileira tem 34% do capital da empresa francesa de e-commerce, que faturou EUR 2,2 bi em 2020. O valor de mercado dessa participação está hoje em R$ 8,7 bi ou 80% do atual valor de mercado da varejista brasileira, deixando um valor residual de pouco mais de R$ 2,2 bi de valor de mercado ou R$ 7 bi de EV para as operações do Brasil e da Colômbia. Entendemos que há um grande potencial de valor a ser destravado, caso ocorra a venda das partes, seja a C-Nova, seja o Viva Malls, seja a operação do Uruguai ou o Êxito inteiro.


Também vale a pena mencionar o forte momento no mercado de capitais brasileiro, com recordes no número de IPOs – ofertas iniciais de ações. A demanda tem sido forte e esses recursos contribuirão para os investimentos por parte do setor privado, compensando a baixa capacidade que o setor público apresentará nos próximos anos.



Alocação setorial - GTI Dimona Brasil FIA



Um bom mês para todos.


Atenciosamente,

André Gordon.