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O Longo Prazo é Seu Amigo: por que o tempo ainda é a vantagem mais subestimada do investidor

No mês passado, o GTI Dimona, nosso principal veículo de investimento, completou 18 anos de história. Uma marca rara. A indústria de gestão de recursos é conhecida por sua altíssima taxa de mortalidade — e diversos levantamentos indicam que menos de 1% dos fundos conseguem atravessar uma década de existência.


Por que tão poucos chegam lá?


Porque, quando a performance decepciona, a captação desaparece. E sem uma escala mínima, a gestora perde sua viabilidade econômica, não gerando receitas suficientes para arcar com seus custos. O resultado é quase sempre o mesmo: o fundo é encerrado ou incorporado por outro e, silenciosamente, some do radar.


Dentro desse cenário, operar uma gestora monoestratégia, como a nossa, é uma decisão para lá de ousada. Não existe “plano B”. Não há bote salva-vidas. Só existe uma opção: fazer a estratégia dar certo.


E assim tem sido desde 2007.


Nós, os sócios, investimos junto com nossos clientes — diferente do que acontece em muitos grandes bancos, onde gestores profissionais decidem o que fazer com o “dinheiro dos outros”. Aqui, estamos literalmente no mesmo barco.


Nesses 18 anos, já navegamos por praticamente todos os mares possíveis: choques externos, guerras, recessões, impeachment, pandemia, juros de dois dígitos, ralis de commodities e ruídos políticos sem fim. Ainda assim, o desfecho tem sido consistente: os clientes que estão conosco desde a cota 1 já multiplicaram seu capital em mais de sete vezes, e aqueles que entraram na época do clube de investimentos observaram multiplicações ainda mais expressivas ao longo do tempo.


A primeira mensagem, portanto, é direta: a gestão ativa ainda se mostra vencedora no longo prazo. Sim, em tempos de ETFs, é importante que isso seja dito.


Mas há outra mensagem, talvez ainda mais relevante — e bem menos óbvia para o investidor: não basta escolher o fundo certo. É preciso permanecer.


Apesar do resultado expressivo do Dimona ao longo dos anos, nem todos os cotistas capturaram esse retorno. E isso nos entristece profundamente. A busca incessante pelo trade perfeito — aquele que “entra antes da alta”, “sai antes da queda”, acerta o ciclo da China, antecipa o fluxo estrangeiro, a eleição ou o humor do mercado — assume novas narrativas a cada ciclo, mas produz sempre as mesmas consequências.


Observamos, ao longo do tempo, que a ânsia de tentar prever o futuro tem sido o maior detrator de performance dos nossos cotistas.


Esse não é um traço exclusivo do investidor brasileiro. É algo inerente ao comportamento humano, amplamente documentado pela economia comportamental. Daniel Kahneman, vencedor do Prêmio Nobel de Economia, demonstrou como vieses cognitivos como a aversão à perda, o excesso de confiança e o efeito manada comprometem decisões financeiras, especialmente em ambientes de incerteza e volatilidade.


Há décadas, estudos empíricos mostram que muitos investidores acabam capturando retornos muito inferiores aos dos próprios fundos em que investem — não por falhas de gestão, mas por decisões mal cronometradas de entrada e saída.

Esse fenômeno ficou conhecido como behavior gap: a distância entre o retorno do investimento e o retorno efetivamente obtido pelo investidor.


A volatilidade de mercado mexe com nossos instintos mais primitivos. Após grandes altas, o medo de ficar de fora leva à perseguição de preços, com aportes feitos nas máximas. Já nas quedas, o pânico se instala, a aversão à perda domina — e os resgates acontecem justamente nos momentos mais inoportunos.


O problema, portanto, raramente está na estratégia. Está no comportamento.


E em um país emergente, volátil e marcado por ciclos como o Brasil, esse comportamento tende a se intensificar. A cada eleição surge a sensação de ruptura. A cada mudança na taxa de juros, um novo receio. A cada crise externa, a crença de que “agora é diferente”.


Mas quando trocamos a lupa por um calendário mais longo, a conclusão é inequívoca: o tempo é o melhor aliado do investidor disciplinado.


O poder silencioso da permanência


Ao analisarmos quase duas décadas de histórico e o comportamento dos nossos cotistas, um padrão cristalino emergiu:


  • Entre os investidores que permaneceram pelo menos cinco anos, 88% tiveram retornos positivos.

  • Entre aqueles que ficaram mais de dez anos, 100% obtiveram retornos positivos.


Não há truque estatístico.

Não há leitura macroeconômica brilhante por trás desses números.

Não há timing.


Há apenas paciência e consistência.


Essa combinação — simples, mas raríssima — transforma a bolsa, tão temida no curto prazo, em uma grande aliada quando observada sob um horizonte mais amplo.


Mas é claro: não investimos apenas para “ter retorno positivo”, especialmente em um país em que o CDI historicamente oferece um custo de oportunidade tão elevado.


Por isso, a métrica central é outra: o retorno excedente ajustado ao risco — o alfa.


Quando o longo prazo encontra a boa gestão


Ao longo de 18 anos, o Dimona entregou aproximadamente 7 pontos percentuais de alfa ao ano em relação ao IBOVESPA, medidos de forma consistente ao longo do ciclo, e não concentrados em janelas específicas.


Em termos acumulados, isso se traduziu em um retorno na casa de 669%, contra um retorno de 447% da SELIC (ou apenas 154% do IBOVESPA)





[1] Dados acumulados desde a criação do fundo até 15/12/2025, extraídos de https://maisretorno.com/fundo/gti-dimona-brasil-fif-acoes-rl


É um prêmio expressivo — conquistado em um dos ambientes mais complexos do mundo para a renda variável.


E esse prêmio não veio da tentativa de antecipar eleições, ciclos econômicos ou manchetes internacionais.


Veio daquilo que nunca sai de moda:


  • estudar empresas,

  • entender modelos de negócio,

  • analisar incentivos,

  • acompanhar a execução,

  • e manter coerência ao longo do tempo.


O paradoxo do investidor moderno


Hoje, o investidor vive pressionado por todos os lados:


  • recomendações incessantes,

  • redes sociais transformadas em balcões de opinião,

  • novos produtos surgindo semanalmente,

  • e uma expectativa quase ingênua de que alguém, em algum lugar, sabe o que vai acontecer amanhã.


Mas a verdade é sóbria: ninguém tem bola de cristal.


O que separa quem prospera de quem apenas se agita não é o acesso a previsões mágicas, mas a capacidade de:


  • manter um plano,

  • calibrar a exposição ao risco,

  • e respeitar o próprio horizonte de tempo.


Para quem aceita essa humildade, o mercado costuma ser generoso.


A disciplina como vantagem competitiva


Enquanto muitos passam os dias buscando “a próxima tendência”, o investidor de longo prazo opera com outra lógica.

Ele sabe que retornos extraordinários nascem de oportunidades fora do óbvio, não de modismos. Entende que a volatilidade é parte da oportunidade, e não um defeito do produto. E reconhece que o verdadeiro risco não está nas oscilações diárias, mas na incapacidade de permanecer investido.


O investidor que define uma alocação bem calibrada — compatível com sua renda, seus objetivos e sua tolerância emocional — colhe frutos muito diferentes daquele que vive oscilando entre o entusiasmo e o pânico.


No fim, o mercado premia quem persevera.


Conclusão: o tempo revela o que o curto prazo esconde


Nosso estudo confirma aquilo que grandes investidores sempre souberam, mas que a ansiedade contemporânea tenta nos fazer esquecer:


“O mercado é um mecanismo para transferir dinheiro dos impacientes para os pacientes.”Warren Buffett


No curto prazo, há rumores.

No médio prazo, há narrativas.

No longo prazo, restam apenas os fundamentos — e o comportamento de quem teve serenidade para permitir que eles se manifestassem.


Em um mundo cada vez mais acelerado, talvez o verdadeiro diferencial não seja correr atrás do próximo movimento, mas ter a coragem de permanecer.

 
 
 

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