Carta do Gestor - Julho de 2026
- André Gordon
- há 37 minutos
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Prezados cotistas,
A dinâmica global voltou a ter como protagonista a inflação persistente. De forma geral, as principais economias estão conseguindo uma boa relação entre políticas monetárias acomodatícias com pequenos ajustes, para que os agentes não percam de vista as metas perseguidas, geralmente ao redor de 2%, tanto nos EUA quanto na Zona do Euro.
Com o adiamento do acordo de paz envolvendo Irã e EUA, o petróleo persiste com bastante volatilidade. Após chegar a romper os USD 70/barril, na ilusão de que haveria paz, o barril voltou a superar a barreira dos USD 100, ainda que tenha encerrado o mês na vizinhança do USD 80 / barril. Esse adicional de preço foi o fator considerado pelo BCE para elevar em 0,25% a taxa básica, para 2,25%, ainda que a atividade também tenha apresentado retração.
Já o FED preferiu aguardar pela próxima reunião, tendo mantido a taxa, com a divergência de 3 diretores, na ponta mais hawkish. O mercado trabalha, entretanto, com uma elevação de 0,25% para a taxa básica entre as duas próximas reuniões e, uma segunda elevação até o final do 1Q27.
Já o nosso BC divulgará hoje a nova taxa Selic, com a expectativa para um corte de 0,25%, para 14% ao ano. O Brasil está envolvido em uma grande armadilha. Por um lado, a política fiscal bastante leniente e mesmo assim incapaz de promover equilíbrio primário, apesar do recorde de arrecadação e da criatividade contábil e da exclusão de determinadas despesas do arcabouço fiscal assumido.
Por outro lado, um BC que busca preservar a sua credibilidade, mesmo ciente de que se utilizasse um conservadorismo que já lhe fora típico, poderia levar o país ao delicado limiar do que seria a dominância fiscal, uma vez que as nossas despesas financeiras levam o orçamento anual a um déficit superior a 8% do PIB e que catapulta a trajetória entre dívida e PIB para níveis incompatíveis com a atual dinâmica tanto de crescimento econômico quanto de juro real. A sustentabilidade exigiria, por exemplo, um crescimento superior a 4% anual e um juro real inferior a 6% ao ano.
Na continuidade do atual governo e mantidas as políticas assumidas desde 2023, a melhor saída remanescente será através da pressão sobre o BCB e da política monetária, deixando-a mais frouxa e aceitando que parte do endividamento público evaporaria às custas do mais perverso dentre os impostos: o “imposto inflacionário”. Nesse cenário, ativos reais tendem a ter seu valor preservado, inclusive as ações de boas companhias e com capacidade de repassar os custos para os preços.
As últimas pesquisas têm mostrado a liderança de Lula em relação aos 3 principais candidatos da oposição, sendo que num eventual segundo turno, a disputa seria bastante acirrada, sendo indicado um empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro em algumas dessas pesquisas. A escolha correta de um bom nome para vice em sua chapa pode deixar a disputa ainda mais parelha. Essa escolha, entretanto, não tem sido fácil, aparentemente porque presidentes de diversos partidos abordados tem falado em “neutralidade” na disputa, se abstendo de indicar um nome para vice. Coincidentemente essas lideranças políticas parecem estar bastante envolvidas em casos de corrupção como o do Banco Master e, portanto, sem muita independência para essa escolha.
Nesse mês, as principais bolsas norte-americanas tiveram comportamentos distintos. O Nasdaq caiu 6,6%, diante da correção de empresas de IA e semicondutores como a NVIDIA, Micron e Microsoft. Já o S&P fechou com ligeira queda e o Dow Jones subiu 0,32%, ambos os índices com a queda das ações de tecnologia sendo compensadas pelo desempenho de empresas de energia, petróleo financeiras industriais. Já o Ibovespa subiu 3,47% no mês, com destaque para o desempenho das ações da Petrobrás, que representaram mais da metade da alta.
O Smal11, que representa as empresas de menor capitalização caiu 0,7%, em linha com o desempenho dos nossos fundos GTI DIMONA, GTI HAIFA e GTI NIMROD com quedas de 0,7%, 0,9% e 1,1% respectivamente.
O destaque positivo se deveu ao desempenho das ações da Suzano Papel e Celulose, com alta de 8,9% enquanto algumas das nossas small caps foram as principais detratoras. Destaque de queda de 21,85% para as ações da Tres Tentos após sinalizar ao mercado que as margens operacionais do segundo trimestre serão aquém das expectativas, além das quedas de Blau Farmaceutica e Log CP. As ações da empresa de cosméticos Natura cairam 4% no mês também após sinalizar que números do 2Q26 estarão prejudicados pela implantação de sistema SAP, o que prejudicou parcialmente as vendas ao final do trimestre. Por outro lado, a empresa também comunicou que a Advent atingiu 8% do capital da empresa e indicará 2 membros no CA para contribuir com a gestão da empresa.
Os próximos 3 meses serão bastante importantes e decisivos para a determinação das políticas que nortearão o país pelos próximos 4 anos. Devemos ter volatilidade ainda elevada, provavelmente potencializada por uma campanha eleitoral que promete seguir apresentando o que temos de pior em nossa sociedade. Esteja preparado para as eventuais turbulências!
Alocação setorial - GTI Dimona Brasil FIA

Atenciosamente,
André Gordon.
