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Carta do Gestor - Maio de 2024.

Prezados cotistas,


O IBOVESPA teve uma queda de 3,04% em abril ou de 4%, se considerarmos em dólares. O S&P 500 subiu 4,8% e o Nasdaq 6,3%. Nossos fundos GTI DIMONA, GTI HAIFA e GTI NIMROD, na contramão, tiveram altas de 0,16%, 0,09% e 0,82%, respectivamente. O dólar se depreciou 1,5% em relação a cesta de moedas, mas se apreciou 1% em relação ao Real.


Os mercados seguem apreensivos, intercalando meses de mais otimismo com outros de certo pessimismo, ainda diante das mesmas expectativas que já pairam há meses sobre todos: quando será iniciado o ciclo de corte de juros na taxa básica dos Estados Unidos, o preço mais importante do planeta. Seremos repetitivos, provavelmente até que haja o primeiro movimento. Neste mês, os principais indicadores de inflação vieram absolutamente em linha com as expectativas, ainda substancialmente acima da meta de 2%. O mercado de trabalho segue firme, com boa geração de empregos, sem pressões adicionais. Diante desta configuração, os mercados voltaram a trabalhar com ao menos um corte de 0,25% neste ano, provavelmente para a reunião de novembro e, eventualmente, um segundo corte em dezembro.


A rentabilidade do título de 10 anos recuou para 4,5%, o que somado a bons resultados como o apresentado pela NVIDIA, ajudaram na alta. A empresa de tecnologia ganhou USD 600 bi em valor de mercado, com alta superior a 27% no mês. Para termos comparativos, essa variação mensal da NVIDIA equivale a aproximadamente 85% do valor de mercado do nosso principal índice, o IBOVESPA. O faturamento da empresa cresceu 260% no ano enquanto seu lucro multiplicou por 7.


O Brasil não pegou “carona” nesta euforia. Nosso ministro da Fazenda, poucos dias após a decisão dividida do COPOM e que deixou o mercado apreensivo quanto a futura disciplina monetária do BCB, comentou que nossa meta de inflação, de 3% ao ano, seria “exigentíssima e inimaginável” para um país como o Brasil. O questionamento das metas de 3% para 2024, 2025 e 2026, com tolerância de 1,5% para mais ou para menos e que já é conhecido desde 2022, em nada contribui para que as expectativas voltem a se ancorar para baixo. Como do lado fiscal, a despeito da forte arrecadação, a vontade de gastar é ainda maior, a combinação teve um efeito negativo sobre a parte mais longa da curva de juros, mas sem, contudo, ajudar a baixar as expectativas de inflação para o horizonte relevante da política monetária.


Os principais índices de commodities seguiram com ligeira alta no mês, mas com destaque para a elevação de 4% no preço do alumínio, enquanto o petróleo seguiu em queda. O principal destaque do portfólio foi a alta de 37% nas ações da CBA, reagindo a esta recuperação nos preços do alumínio. Na sequência, as ações da JBS tiveram alta de 23% no mês, com melhora das margens na Seara e segmento de suínos nos EUA. O menor consumo de caixa se refletiu na expectativa de redução da alavancagem financeira. Aproveitamos essa retomada para vender essa posição, favorecendo o investimento na SLC Agrícola, que a queda de preços de soja acabou trazendo o preço das ações para um patamar atrativo.


A queda de 16,7% nas ações da Suzano foram nosso maior detrator de performance neste mês. Aparentemente, a empresa negocia a compra da gigante norte-americana IP (International Paper CO). A empresa negou que haja qualquer compromisso a esse respeito, mas os rumores foram sucessivos, inclusive de que já havia um pool de bancos japoneses se organizando para financiar este movimento. O valor de mercado da IP é hoje 30% maior do que o da própria Suzano, levantando preocupações quanto ao nível de alavancagem. A Suzano está encerrando um ciclo importante de investimentos com a entrada em operação do Projeto Cerrado no Mato Grosso do Sul e diante de boas perspectivas de geração de caixa. O fato de a IP ser uma corporação, também poderia facilitar essa aquisição através da combinação de caixa e ações.


Desde o início das especulações, as ações da IP tiveram alta de 35% enquanto as da Suzano caíram 17% em dólares e já se encontram a 70% do valor atingido no final do 1Q24. Num primeiro momento, nos parece que não é trivial que essa associação entre as empresas siga adiante. A IP havia ela própria feito uma proposta para adquirir ativos da Smurfit Kappa Group PLC, outra gigante do setor com sede na Irlanda. Em se concluindo esta aquisição, a Suzano perderia a capacidade financeira para adquirir a IP em função do grande endividamento combinado para as empresas. Também acreditamos que nos atuais preços, a compra pela Suzano seria bastante dilutiva para os seus atuais acionistas.


Não conseguimos ver sinergias que sejam relevantes o suficiente para justificar esse prêmio tão elevado. Entendemos que caso a operação não ocorra, as ações da Suzano devem voltar para onde estavam anteriormente e tendem a se beneficiar do ramp up da nova planta. Devemos aguardar os próximos capítulos, mas gostamos muito da qualidade dos ativos da Suzano e de seu forte componente como hedge, para cenários domésticos mais desafiadores.



Alocação setorial - GTI Dimona Brasil FIA

 

Atenciosamente,

André Gordon.

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