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Carta do Gestor - Junho de 2023

No mês de Junho o S&P 500 e o Nasdaq subiram 6,5%. O Ibovespa teve forte recuperação, de 9%, encerrando o primeiro Semestre com 7,6% de alta. Nossos fundos GTI DIMONA, GTI HAIFA e GTI NIMROD tiveram altas mais expressivas de 10,2%, 9,2% e 10,1%, respectivamente, levando a um retorno positivo no Semestre de 11,2%, 10,5% e 9,2%. O dólar perdeu 1,3% em relação a cesta de moedas, sendo 5,1% em relação ao Real.


O FED decidiu fazer uma pausa, deixando para a próxima reunião um eventual ajuste na taxa básica de juros. A inflação norte-americana ainda segue com seu núcleo substancialmente acima do nível pretendido, de 2%, apesar de ter perdido força. Sempre lembramos que o início do ciclo de alta nos EUA se deu um ano após o nosso. O BCB tem sido um grande exemplo entre os BCs mundiais, se defendendo dos ataques diversos, reforçando seu perfil técnico. A postura do BCB tem contribuído para ancorar, novamente, as expectativas inflacionárias, apesar do discurso do Governo defendendo a expansão de gastos e ameaçando a independência do Banco Central.


O BCB preferiu esperar o mês de Agosto para iniciar, cautelosamente, o processo de ajuste na taxa Selic. Essa coordenação levou a uma nova queda nas taxas de juros mais longas, alimentando uma nova alta nos preços das ações brasileiras. Também foi importante o fato de que o Conselho Monetário Nacional (CMN) definiu para 2026 a meta de 3%, com intervalo de 1,5%, mantendo o nível de 2024 e 2025 e afastando o medo de que essa meta pudesse ser elevada. A única modificação foi que o BCB passara a observar não apenas o ano-calendário, mas sim um horizonte futuro maior, para a observância da meta e para a convergência das expectativas.


O Arcabouço Fiscal, entretanto, sofreu modificações no Senado, levando o projeto, novamente, para a Câmara dos Deputados. Seguimos com certo ceticismo quanto a este Arcabouço, acreditando que será no Congresso Nacional, em última instância, que o Governo deverá pedir “socorro” caso não consiga atender seus compromissos fiscais ou queira promover novos gastos.


Também aguardamos a evolução da Reforma Tributária, cuja tramitação no Congresso já ultrapassa mais de 3 anos. Muito se especula, mas apenas aos 45 minutos do segundo tempo é que saberemos exatamente como ela se apresentará e, só no segundo tempo da prorrogação, como ela terminará. Tudo indica que, nesta primeira etapa, iremos para o imposto sobre o consumo de bens e serviços, um IVA (Imposto sobre Valor Agregado), substituindo o ICMS e ISS, sendo dividido entre União, Estados e Municípios. A ideia seria aliviar a carga tributária nos impostos que afetam a produção em favor destes que teriam uma base muito mais ampla de arrecadação. Em princípio, haveria 2 alíquotas, uma geral e outra diferenciada. Após esta etapa aprovada, poderia-se partir para a reforma na tributação sobre a renda.


Dentre os destaques do mês, novamente as ações da Petrobrás figuraram com alta superior a 20%. Aproveitamos para reduzir a nossa posição em aproximadamente um quarto, entendendo que por um lado o petróleo vem perdendo força e por outro, a nova política de preços parece ter substituído a paridade de preços de importação pelo preço da exportação.


Se no início do ano entendíamos que a empresa estava extremamente barata, sendo negociada entre 2 e 3 vezes seu lucro estimado, hoje ela segue barata, mas aproximadamente entre 6 e 7 vezes. Elevamos um pouco nossa exposição em Vale, aproveitando um certo ceticismo quanto a retomada da atividade na China, tornando incerta a sustentação do atual nível de preço do minério de ferro.


Também destacamos o desempenho da NEO Energia, que subiu 31,7% no mês. Parte deste desempenho foi devido à forte queda nas taxas longas de juros, beneficiando mais as empresas com maior endividamento, como é o caso da NEO. Também destacamos a disciplina mostrada pela empresa em seus lances de compra no leilão de transmissão, mostrando tanto a preocupação com o nível de endividamento, assim como a exigência de um retorno mínimo para a aprovação de novos projetos.


Iniciamos o segundo Semestre mais construtivos com o Cenário Macroeconômico, mas ainda preocupados quanto à insegurança institucional. Destacamos, entre diversos eventos, a inabilitação política, por 8 anos, do principal potencial candidato da oposição, Jair Bolsonaro, num movimento que não nos permite ignorar as semelhanças com o que assistimos recentemente na Bolívia e na Venezuela.


Nosso portfólio está mais líquido e preservando a exposição em empresas com forte geração de caixa no presente.



Alocação setorial - GTI Dimona Brasil FIA


Atenciosamente,

André Gordon.

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