Carta do Gestor - Janeiro de 2022

Prezados cotistas,


O IBOVESPA subiu 6,98% em janeiro, no segundo mês positivo seguido, após o longo período de correção iniciado em julho de 2021. E esse forte movimento se deu na contramão das principais bolsas do planeta, o que o torna mais emblemático. O S&P caiu 5,5% enquanto o Nasdaq tombou 9,1%. O Nikkei e as principais bolsas europeias também tiveram quedas expressivas. O Dólar norte-americano teve pequena valorização em relação à cesta de moedas, mas forte depreciação diante do Real, de quase 5%. Nosso fundo principal subiu 5,34%.


Atribuímos este desempenho negativo no exterior a diversos fatores, entre os quais destacamos a percepção de que o FED deverá iniciar o aperto monetário mais cedo e promover, ao menos, 3 elevações neste ano, a escalada na crise entre Rússia e Ucrânia e, não menos preocupante, os números recordes de novos casos de Covid-19, gerando algumas restrições à mobilidade e atraso na desejada volta à normalidade.


A crise no leste europeu mereceria um capítulo à parte. As ambições Russas sobre a Criméia eram antigas, assim como o seu desejo de exercer maior influência sobre a metade oriental da Ucrânia. A Polônia e os países bálticos em primeiro, mas também a Alemanha, França e Reino Unido sabem que aceitar mais um avanço Russo seria um sinal de fraqueza, abrindo espaço para novos movimentos no futuro.


A inflação nos EUA e nos países europeus segue forte. Os Bancos Centrais foram, de certa forma, mais lenientes com o comportamento dos preços até hoje, ponderando que o risco de uma grande recessão seria ainda pior. Mas a hora de “puxar o freio de mão” chegou. Destacamos abaixo a forte alta no preço do petróleo, para ilustrar a dificuldade enfrentada pela maioria das nações nessa delicada empreitada diante deste choque de oferta. A agenda ESG desestimulou novos investimentos em exploração de combustíveis fósseis nos últimos anos, mas com a retomada da demanda, as fontes alternativas de energia ainda se apresentam aquém desta necessidade.



Em relação à pandemia, atingimos um recorde de novos casos diários, 6 vezes mais elevado do que nos picos anteriores, com a ressalva de que a variável Ômicron se mostra bem mais branda, fazendo com que o uso de capacidade hospitalar e letalidade não tenham acompanhado essa escalada. Em função disso, as novas restrições apresentadas se mostram bem mais suaves do que aquelas adotadas ao longo de 2020 e 2021.


Em situação diferente dos Bancos Centrais dos EUA e da Europa, o BCB já promoveu a maior parte do aperto monetário. Na reunião de ontem, a taxa Selic foi elevada em 1,5%, para 10,75% com a sinalização de que o ritmo será reduzido no próximo e talvez derradeiro aumento. Sabemos que os efeitos destes movimentos têm uma defasagem que supera os 6 meses e, mais importante do que a inflação de 2022 ficar abaixo de 5%, será manter as expectativas para 2023 e 2024 ao redor de 3,5%. E esse sentimento de que o pior ficou para trás já contribuiu para uma forte queda nas taxas longas de juros domésticas, o que ajudou a impulsionar a maioria das ações de empresas brasileiras.


Os grandes destaques de nosso portfolio neste mês foram as ações da Petrobras, Itaú, Guararapes e BR Malls. Petrobras subiu fortemente com a elevação nos preços do petróleo, alta que só não foi maior por conta de declarações do ex-presidente Lula de que voltaria a investir em refinarias, ao invés de distribuir dividendos, além de reduzir os preços domésticos dos combustíveis. Tais políticas foram responsáveis por quase quebrar a empresa ao longo dos anos de governos petistas.


A Petrobrás nunca esteve tão bem gerida e, apesar de estar em seu maior patamar de preços em reais, segue sendo negociada em múltiplos absolutamente baixos, por conta desta percepção de risco. Temos claro que hoje, na eventual vitória do ex-presidente, por mais que ele tente promover os saques ao caixa da empresa como no passado, não encontrará a mesma facilidade. A empresa já se desfez de diversos ativos onde a corrupção poderia prosperar e concentrou sua produção em campos altamente produtivos e com parceiros externos. Hoje, para “assaltar” o caixa da empresa, o postulante precisa realmente ter muita disposição e ousadia.


O movimento do Itaú, acreditamos, que se deu muito mais por questões técnicas, visto a forte correção de preços das chamadas “fintechs”, assim como as ações da Guararapes, que chegaram a perder 60% de seu valor desde meados de junho de 2021 até o início do mês. Já as ações da BR Malls reagiram tanto ao fechamento nas taxas longas de juros, quanto pela oferta feita pela Aliansce Sonae para a combinação dos negócios, formando o maior grupo de Shopping Centers do país, com 1,6 mi m2 de ABL próprio, mais do que o dobro de área do futuro segundo maior grupo, o Multiplan.


As sinergias estimadas são relevantes e levaram o mercado a acreditar que o grupo ofertante poderá pagar um prêmio em relação ao preço de mercado para que essa transação seja levada a diante. Seguimos otimistas com as perspectivas do setor nos próximos anos, com redução nas taxas longas de juros e início do processo de elevação nos preços das locações, uma vez que as vendas já superam àquelas anteriores a março de 2019.


Por fim, teremos a volta dos trabalhos legislativos e, quaisquer evoluções na agenda reformista ou de privatizações deverão ser vistas como surpresas positivas, visto que a aproximação das eleições tendem a interromper a evolução de quaisquer temas mais polêmicos.



Alocação setorial - GTI Nimrod FIA



Atenciosamente,

André Gordon.