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Rodrigo Glatt comenta sobre Petrobras, que se recupera após polêmica sobre dividendos. E agora, para onde vai a ação?

A novela dos dividendos acabou - por ora. Será que os papéis podem retomar a trajetória meteórica dos últimos 12 meses que levou a petroleira a um novo patamar recorde no começo deste ano?


Por Beatriz Pacheco e Laelya Longo, Valor Investe — São Paulo

26/04/2024 06h00 Atualizado há uma hora


A última novela na Petrobras parece ter chegado a um fim ontem (25), após acionistas aprovarem, em Assembleia Geral Ordinária (AGO), a proposta da União para o pagamento de 50% dos R$ 43,9 bilhões em dividendos extraordinários retidos. Virada esta página, as ações da estatal podem retomar a trajetória meteórica que dobrou seus valores nos últimos 12 meses e as levou a bater recordes no começo deste ano?


A ação preferencial (PETR4) da Petrobras fechou o último pregão em R$ 42,22, a apenas R$ 0,68 do seu recorde, de R$ 42,90, alcançado em 19 de fevereiro deste ano. Em termos nominais (o valor vigente no momento do cálculo), a diferença do preço atual e a máxima histórica é de apenas 1,6%.


Ou seja, se a ação conseguir repetir nesta sexta (26) o movimento do pregão de ontem, alcançará um novo pico. Isso se desconsiderados os reajustes no papel, que hoje deve sofrer uma perda de valor real por começar a ser negociado sem direito a uma parte dos dividendos anunciados, o que o mercado conhece como ex-dividendos.



Mas a probabilidade de a Petrobras renovar sua máxima histórica hoje é baixa, porque o ímpeto de compra do papel costuma cair nos pregões seguintes à data-base dos dividendos já aprovados.


Um “trupicão”


Os preços das ações da Petrobras vinham em um movimento ascendente uniforme desde maio de 2023. Até que a companhia deu um “trupicão”. Foi no pregão de 8 de março, quando investidores processavam a indigesta decisão do conselho, anunciada na noite anterior, de reter 100% dos dividendos extraordinários. Era a concretização de seus pesadelos, numa volta aos tempos de vacas magras?


Os papeis chegaram a cair 13% naquela sessão e fecharam o dia com perdas de 11%. Neste ano até aqui, as ações bateram seu fundo pouco depois, em 11 de março, em R$ 35,65, a preferencial.


Março foi, aliás, o mês que pôs em xeque a visão do mercado para o ano da Petrobras, mas que hoje já é mesmo passado. Desde que a companhia (e o próprio Planalto) passou a rever a posição defendida pelos conselheiros ligados ao governo, em especial ao ministro de Minas e Energia, os ânimos se acalmaram, e os preços dos ativos voltaram a se acomodar.


Rodrigo Glatt, sócio da GTI Administração de Recursos, tem sua teoria sobre o que levou à decisão do conselho naquele 7 de março.


“O governo defendeu a retenção dos dividendos extraordinários para ver qual seria a reação do mercado, medir o tamanho da 'chiadeira' e só então decidir que rumo tomar. Por isso, recuou e depois apoiou a distribuição desses dividendos.”


Desde que os rumores de que conselheiros estavam revendo a decisão sobre os dividendos extraordinários, pauta que seria levada à AGO, a ação preferencial recuperou seu patamar e já está até 5% acima do que valia antes de o drama estourar. A ação ordinária vale 7% mais hoje que no fechamento de 7 de março.


“Essa definição traz um certo alívio para boa parte dos investidores em relação aos temores de intervenção do governo nos interesses da empresa e gestão de caixa. O sentimento que paira no ar agora é de que a corda não está muito esticada, já que o governo acabou cedendo do seu posicionamento inicial [sobre a distribuição dos dividendos extraordinários]”, diz Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos.


Foguete não tem ré? Tem, sim


Se o investidor espera que a trajetória ascendente para as ações seja retomada, uma vez que os fundamentos operacionais da companhia ainda estão intactos, talvez se frustre. A começar que a reação de ontem nos papéis da Petrobras foi mais uma corrida pelos ativos com direito aos dividendos do que a cicatrização das feridas deixadas no mercado.


Para Ruy Hungria, analista da Empiricus Research, a aprovação do pagamento dos dividendos extraordinários “não deveria ter grandes efeitos nas ações, dado que, desde meados da semana passada, tanto as ações ordinárias quanto preferenciais já vêm subindo por conta dos rumores de que o montante poderia ser distribuído – ou seja, o mercado já antecipou [a decisão].”


Para ele, as pressões de curto prazo são altistas, com possibilidade de desdobramentos positivos para o ativo ao longo do ano. Já circulam os rumores no noticiário de que a União já aprovou, e a Petrobras deve distribuir a outra metade dos dividendos retidos no segundo semestre deste ano.


“A decisão [pelo pagamento dos dividendos retidos] reduz a incerteza de curto prazo em relação à empresa e demonstra um pragmatismo do governo, que se debate para controlar o dólar e atrair investidores estrangeiros”, afirma João Abdouni, analista da Levante Inside Corp. Assim, conta o especialista, a Petrobras encerra o primeiro ano contábil do governo Lula 3 com dividend yield (margem de retorno do papel em dividendos) anualizado de 17%, bastante elevado para a média do indicador no Brasil.

Mas o foguete Petrobras não só provou que dá ré como também cambaleia.


Em relatório, a equipe de analistas da Genial estima que, pela fórmula proposta, a Petrobras deve anunciar, na data de divulgação do seu balanço (dia 13 de maio), dividendos de pelo menos R$ 1,30 por ação referentes ao primeiro trimestre deste ano.


“Implicando em um rendimento em dividendos de 3,1% [no mesmo período do ano anterior, esse dividend yield ficou em 7%] se considerarmos os atuais preços da ação preferencial. Mas não esperamos distribuição de dividendos extraordinários nesse trimestre”, aponta a equipe em relatório.


Glatt, da GTI Administração de Recursos, pessimista em relação ao investimento na estatal, acredita que o mercado tem negligenciado a elevação da margem de desconto da gasolina da Petrobras em relação aos preços internacionais, uma defasagem hoje em torno de 20%, pelos seus cálculos.


“A Petrobras também tem questões de um histórico de alocação de capital ruim, em projetos de eólicas offshore e na compra de refinarias para projetos de rentabilidade muito aquém da exploração de petróleo”, diz o sócio da GTI, cujos fundos não têm posição na estatal atualmente.


A Empiricus, por ora, tem recomendação neutra para os papéis da petrolífera, porque “apesar dos pontos favoráveis operacionais e capacidade de geração de caixa, os múltiplos atuais já estão em preço justo, levando em conta os riscos de interferências políticas”, pondera o analista da casa.


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