Petrobras (PETR4): mercado teme que mudança no comando possa alterar política de preços

Falta de entendimento entre governo e estatal sobre política de preços foi o principal motivo para a alteração no comando


Juliano Passaro em 5 de abril de 2022 - 7:00


A Petrobras (PETR3;PETR4) vive um momento de incertezas, causado por alterações repentinas em seu comando. Analistas ouvidos pelo BP Money destacaram que o mercado pode reagir negativamente, dependendo da alteração no comando e no conselho administrativo da companhia, que vem causando preocupação em agentes do mercado. Caso a política de preços da estatal, que vigora desde 2016, fosse alterada, como já foi solicitado pelo governo, a empresa poderia sofrer com a queda de expectativa dos investidores.


Sem tais definições sobre a presidência da empresa e do Conselho de Administração, a Petrobras viu seus papéis operarem em queda nesta segunda-feira (4). As ações preferenciais da empresa (PETR4) encerraram o dia cotadas a R$ 32,70, com uma queda de 0,94%.


No início de março, o presidente do Conselho de Administração da Petrobras, almirante Eduardo Bacellar Leal Ferreira, anunciou sua saída da estatal, por motivos pessoais. Com isso, Rodolfo Landim, atualmente presidente do Clube de Regatas Flamengo, teve seu nome cotado para o cargo. Entretanto, o executivo recusou, no domingo (3), a indicação ao posto de presidente do conselho administrativo da estatal.

Para João Arthur, CIO da Suno Wealth, a incerteza em relação ao novo diretor geral do conselho de administração da Petrobras pode afetar bastante a expectativa do mercado em relação à companhia.


"A figura do diretor geral do conselho de administração de uma companhia é muito importante no direcionamento estratégico da empresa. O Conselho de administração pode, por exemplo, influenciar a política de preços da companhia, que hoje é uma política de preços com paridade em relação ao mercado internacional”, explicou Arthur.

“Caso a composição do Conselho seja diferente, essa política pode ser revista. Então isso traz muita certeza para a companhia, acaba afetando a expectativa dos investidores e se reflete em um desconto nas ações no mercado", disse o analista.


Receio é alteração na política de preços


Pouco menos de um ano depois de assumir a presidência da Petrobras, o general da reserva Joaquim Silva e Luna deixou o cargo a pedido de Jair Bolsonaro (PL). Assim como Roberto Castello Branco, Silva e Luna também caiu por conta da pressão do Governo em relação à política de preços da empresa.


A Petrobras trabalha com o Preço de Paridade de Importação (PPI), desde 2016. Isso quer dizer que a empresa utiliza o preço do barril de petróleo do mercado internacional, e também do câmbio, para definir os seus preços. Com essas premissas, alinhadas ao dólar em um patamar ainda elevado e a alta das commodities no ano passado, o preço dos combustíveis no Brasil disparou e fez com que o Governo pressionasse a estatal para mudar sua política de definição de preços, segundo Regis Chinchila, analista da Terra Investimentos.


"Sobre a Petrobras, tudo vem acontecendo por conta da questão do aumento do preço dos combustíveis, por pressão do petróleo internacional. Houve um movimento de descasamento, mesmo, em relação ao preço que a Petrobras vem praticando, o petróleo internacional e o dólar, o que acabou influenciando [no comando da empresa]”, disse Regis.


De acordo com o analista, o último movimento de reajuste da Petrobras não foi o suficiente, o que acabou causando um ruído muito forte em relação à pressão do mercado e também do Governo Federal, que tem o presidente Jair Bolsonaro (PL) de olho nas eleições que acontecerão em outubro deste ano. Na opinião do analista da Terra Investimentos, Silva e Luna estava fazendo um bom trabalho na estatal, assim como Castello Branco. Por isso, o movimento não deve mexer tanto com o mercado.


“Temos, agora, um movimento com o investidor olhando para a Petrobras com mais cautela. Acho que não mexe muito com as cotações, acredito que seja mais uma movimentação política”, afirmou Regis.


“[A mudança no comando da Petrobras] não deve ter um impacto tão relevante, porque como vimos, desde a nomeação do Castelo Branco, a linha de condução da empresa continua sendo a mesma, apesar de ter um ruído político, houve uma manutenção da política de preço, deixando-a inalterada, seguindo os padrões de alinhamento com os preços internacionais. Mesmo que seja uma outra indicação, não acredito que vai mudar essa postura”, completou Regis.


Petrobras está no caminho certo, diz analista


Para o sócio da GTI Administração de Recursos, Rodrigo Glatt, a estatal petroleira seguirá no caminho certo se optar por manter a política de preços atrelada aos preços internacionais, com investimentos em projetos mais rentáveis, principalmente nos poços de pré-sal.


"Não é à toa que a gente viu resultados recordes recentemente. A empresa atingiu mais de R$ 100 bilhões de lucro no ano, o que foi algo excepcional em 2021, e tem tudo pra se repetir neste ano, dado que o preço médio do petróleo está mais alto. A gente vê aí uma geração de caixa muito expressiva para ela nos próximos meses, com dividendos massivos, na casa de 25%, 30% ao ano”, destacou Glatt.


“O preço das ações da Petrobras está muito subavaliado, dado o cenário que a gente tem hoje”, concluiu.



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