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Para Petrobras (PETR4), queda dos combustíveis pode ser vantajosa

Segundo especialistas, petroleira vai lucrar menos, mas percepção de risco sobre a estatal melhorará


por Juliano Passaro - 17 de agosto de 2022 - 9:00

Atualizado em: 17 de agosto de 2022 11:32


Recentemente, a Petrobras (PETR3;PETR4) anunciou uma nova redução, de 4,85%, no preço do litro da gasolina vendida às distribuidoras. A queda nos preços dos combustíveis, que poderia “assustar” o mercado por, possivelmente, diminuir o lucro da estatal nos próximos trimestres, é vista como vantajosa pelo especialista Rodrigo Glatt, sócio da GTI, por diminuir o risco de ingerência ou interferência nas políticas da empresa.

“No fundo, por mais contraintuitivo que seja a queda dos preços da gasolina e do próprio diesel, na verdade isso é bom para a Petrobras. Na verdade, isso acaba diminuindo a pressão e a impressão do mercado de que vai haver algum tipo de ingerência na empresa, de que a empresa não vai continuar seguindo a política de preços que veio até agora, de alinhamento de preços no mercado internacional, então apesar de ser uma queda diminui essa sensação”, disse Glatt.


Glatt complementou dizendo que nas últimas semanas a diminuição do preço dos combustíveis melhorou a performance dos papéis da companhia na bolsa.

“Como têm reduzido essa pressão, essa eventual interferência, isso diminui o risco da empresa e aumenta o valor da ação”, afirmou Glatt.


A partir desta terça-feira (16), o preço do litro da gasolina vendida às distribuidoras passou a ser de R$ 3,53, uma redução de R$ 0,18 por litro.


Lucro da Petrobras (PETR3;PETR4) deve cair


Especialistas consultados pelo BP Money destacaram que a Petrobras deve lucrar menos nos próximos trimestres, em relação aos dois últimos resultados. Por outro lado, mesmo com o resultado operacional menor, haverá uma diminuição da percepção de risco associada à empresa, o que também contribui para a alta da ação.

Para Guilherme Paiva, analista CNPI da MundoInvest, o lucro da petroleira deve, naturalmente, dar uma oscilada nas próximas divulgações.

“Se a receita é menor, o lucro numericamente é menor, mas não quer dizer que a margem vai cair, até porque a empresa continua trabalhando bem e a questão de produção dela vem aumentando”, disse Paiva.


A única incerteza para a companhia, segundo o analista Sidney Lima, da Top Gain, será o contexto eleitoral – que traz dúvidas para a companhia.

“A diretoria e as novas regras colocadas após o governo Temer, como o PPI, trouxeram uma certa segurança para o negócio, balanceando de uma forma sustentável a relação entre receita e despesa, o que tem trazido uma perpetuidade nessa capacidade de geração de caixa que tende a beneficiar uma continuidade desses pagamentos. A incógnita será o contexto eleitoral que traz muita incerteza”, disse Lima.


Petrobras deverá seguir com dividendos fortes


No primeiro semestre deste ano, a Petrobras só ficou atrás da Saudi Aramco entre as petroleiras que mais pagaram dividendos no mundo. A estatal brasileira pagou US$ 12,4 bilhões no primeiro semestre deste ano.

“Eu acho que os dividendos vão continuar bastante elevados, porque o preço da ação ainda está bastante depreciado, o Yield talvez não seja o mesmo que nem esse que a gente viu de quase 20% de uma tacada, mas vai continuar muito alto se o preço da ação não corrigir. resumindo, vai ser menor, mas continuará elevado”, disse Glatt.

De acordo com Guilherme Paiva, analista CNPI da Mundo Invest, por conta da política de paridade, a Petrobras está mais saudável e gerando mais lucro.

“A ideia é que ela siga pagando bons dividendos, mas não tão extraordinários, como foi os que ela distribuiu, que deu um dividend yield de aproximadamente 20%. Talvez o lucro líquido numericamente seja menor, então os dividendos talvez sejam menores”, disse Paiva.

Para Ivan Barboza, sócio-gestor do Ártica Long Term FIA, os dividendos da companhia deverão seguir em um ritmo menor do que os anunciados recentemente.

“Nesse contexto, os dividendos da Petrobras deste ano foram extraordinários e as distribuições nesse patamar dificilmente se tornarão recorrentes”, disse Barboza.

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