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Lula quer Mantega presidente da Vale? Especulação esquenta, mercado reage

De acordo com 'O Globo', o presidente está empenhado em colocar o ex-ministro de seus governos anteriores à frente da companhia privatizada há quase 30 anos


Por Beatriz Pacheco, Gustavo Ferreira e Natháilia Larghi, Valor Investe — São Paulo

24/01/2024 16h59 Atualizado há 11 horas


As especulações em torno do nome do ex-ministro Guido Mantega e da Vale seguem esquentando. De acordo com o colunista do Globo, Lauro Jardim, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva está empenhado em fazer do ex-ministro da Fazenda presidente da mineradora privatizada há quase três décadas. Alexandre Silveira, ministro de Minas e Energia, estaria incumbido de colocar o plano de pé.


  • Logo na sequência da publicação, por volta das 15h, o papel da mineradora passou a devolver parte dos ganhos. Na máxima do dia, no embalo de nova rodada de estímulos da China, subia 2,36%. Por volta das 17h40, enquanto a concorrente CSN Mineração acelerava o passo para alta de 2,74%, o papel da ex-estatal freava para 1,05%.

Como refletido no pregão, o mercado financeiro sente calafrios só de ouvir o nome do ministro da Fazenda mais longevo da história da república. Algo semelhante, aliás, ao ocorrido durante sua breve participação na equipe de transição para este governo, no fim de 2022. Mas, para além da má avaliação de sua gestão nos governos Lula e Dilma (2006-2015), pega mal a suposta tentativa de ingerência numa empresa já não joia da Coroa como antes.


"O governo pode até querer indicar nomes em grandes empresas, como já aconteceu muitas vezes. Mas os tempos são outros", diz Alexandre Espirito Santo, economista-chefe da Way Investimentos. "Cada vez mais, nos dias de hoje, as companhias têm seus critérios de governança [o G do ESG] e os Conselhos de Administração, suas regras e critérios definidos. Cabe à companhia verificar se aquela demanda por aquela pessoa se encaixa nos padrões que foram estabelecidos e aí decide se aceita ou não. Só não pode é exigir, aí não comporta."


Se você aí teme pelo futuro da Vale nas eventuais mãos de Mantega, na visão Fernando Ferrer, analista da Empiricus Research, está sofrendo à toa.

"Não vejo possibilidade nem na presidência, nem presidindo o conselho da empresa", diz. "Uma alternativa seria uma cadeira no conselho, teria uma maior possibilidade. Mas a Vale tem controles bem estabelecidos. Acredito que, embora o governo pressione, será barrada qualquer indicação política para o cargo."


“O governo, apesar de querer ter essa influência, já não é mais acionista há muito tempo. Tem participação indireta via Previ [Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil], mas precisaria ser aprovado pelo conselho e por acionistas mais relevantes", diz Rodrigo Glatt, sócio da GTI Administração de Recursos, gestora de fundos que têm posição em Vale.


"Acredito que a empresa vai renovar Eduardo Bartolomeo na presidência, eventualmente em um mandato mais curto. Outra opção seria a condução do Luis Henrique Guimarães, que deve deixar a presidência da Cosan, e tem aumentando sua participação acionária na Vale. Ele vem ‘correndo por fora’ e talvez ele seja um meio termo a esse impasse. Então, apesar dessa 'forçação' de barra do governo, não acredito que o Mantega na presidência venha a se concretizar”, acrescentou Glatt.


Enrico Cozzolino, sócio e chefe de análise da Levante Investimentos, aponta que também entram nesse jogo de interesses questões como a concessão de licença ambiental e regulação do setor. "Dentro da empresa, a participação do governo na Vale via Previ é de 8%, o que é muito menos que o consenso para passar uma indicação. Por isso, essa indicação de Mantega tem chance mínima de se concretizar", diz. "O problema é que essa discussão faz com que companhias listadas percam valor de mercado. Haja vista a desaceleração relevante do papel na bolsa nestas poucas horas de divulgação da notícia."


Julia Monteiro, analista da MyCap, afirma que as ações da mineradora podem ser penalizadas caso se materialize a chegada de Mantega.

Na linha dos colegas de Faria Lima, vê com ressalvas qualquer interferência governamental. O principal temor, diz, é prático. Que a empresa passe a atender aos interesses do governo, e não necessariamente vise o melhor desempenho e retorno possíveis como esperam seus acionistas.


“A questão é mais teórica do que efetiva", diz. "Os investidores não veem com bons olhos nenhuma interferência no operacional, em decisões de investimentos e projetos da companhia, não importa de quem seja. Então, essas especulações geram risco incremental a ser descontado nas ações. A direção da empresa deveria ficar com uma pessoa efetivamente especialista e qualificada, como entendimento de senso-comum do mercado."


Luan Alves, analista-chefe da VG Research, vislumbra uma "falha de governança" da Vale uma eventual chegada de Mantega. "Só aconteceria se essa nomeação não passar pela aprovação de acionistas em um processo transparente e como prevê o regulamento, o que representa um fator de risco", diz.


"Ainda consideramos um cenário de baixo risco, portanto, especulativo. Mas, caso se consolide, esperaríamos projetos menos focados no lucro e em retorno para os acionistas, mais voltados a interesses da rede de influência política e econômica do governo."


De todo modo, apostando em "blindagens" internas da companhia contra tentativas de interferência estatal, Alves mantém a Vale em alta conta. "Trata-se de uma empresa líder no setor e, na última quinzena, o preço da ação chegou ao patamar de compra segundo a nossa análise. Por ora, notícias sobre China e outros fatores macroeconômicos predominam sobre a notícia de Mantega e o micro.”

A ver as cenas dos próximos capítulos dessa primeira grande novela do mercado nacional em 2024.

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